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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Economia

Fogo de Chão reinventa rodízio e mira US$ 1 bi

A Fogo de Chão está reformulando seu modelo de negócios, mantendo o rodízio como carro-chefe, mas apostando em novas experiências gastronômicas. A meta é faturar US$ 1 bilhão com expansão nos EUA e no Brasil.

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Fogo de Chão reinventa rodízio e mira US$ 1 bi
Crédito: www.bloomberglinea.com.br

A rede de churrascarias Fogo de Chão está promovendo uma reinvenção do tradicional rodízio para impulsionar seu crescimento e alcançar a marca de US$ 1 bilhão em faturamento. A estratégia foi detalhada por Paulo Antunes, executivo da companhia, em entrevista à série Mesa de Negócios da Bloomberg Línea, que explora a interseção entre gastronomia e empreendedorismo no Brasil. Durante um almoço no restaurante, Antunes revelou que cerca de 20% dos clientes já buscam experiências além do rodízio clássico, sinalizando uma mudança no comportamento do consumidor.

A declaração ocorre em um momento de retomada do setor de alimentação fora do lar, após os impactos da pandemia. A Fogo de Chão, conhecida por seu serviço de carnes nobres em espetos, decidiu usar o período de restrições para repensar seu modelo. Segundo Antunes, a empresa aproveitou a crise para inovar sem abandonar suas raízes. “De certa forma, fomos oportunistas para o bem, porque usamos esse tempo para reinventar a empresa mantendo, respeitando a tradição e inovando onde a gente achava que podia renovar”, afirmou.

Novas experiências ganham espaço no cardápio

A transformação não significa o abandono do rodízio, que segue como principal formato da casa. No entanto, a rede identificou uma demanda crescente por opções diferenciadas, como cortes especiais, pratos à la carte e experiências gastronômicas mais elaboradas. “O rodízio ainda é o principal, mas eu diria que cerca de 20% dos clientes buscam essas novas experiências”, disse Antunes durante o almoço.

Essa parcela de consumidores tem motivado a empresa a diversificar o menu e o serviço, sem perder a essência da marca. A aposta é que a inovação atraia novos públicos e aumente o ticket médio, contribuindo para a meta bilionária. A fonte não detalhou quais experiências específicas estão sendo oferecidas, mas o movimento reflete uma tendência do setor de restaurantes premium.

A estratégia também passa por uma gestão mais eficiente dos custos. Antunes destacou a importância do CMV (Custo de Mercadoria Vendida) para a saúde financeira da operação. “Quanto melhor a gente otimiza o CMV, melhora o resultado da empresa e acaba sendo também melhor a experiência para o cliente”, afirmou. A otimização permite reinvestir em qualidade e inovação, criando um ciclo virtuoso.

Tecnologia e dados orientam decisões estratégicas

Para sustentar essa reinvenção, a Fogo de Chão tem investido em ferramentas de análise de dados. Os modelos utilizados pela companhia fazem críticas e sugestões para cada linha do orçamento e para cada indicador de desempenho. Isso inclui desde a retenção de funcionários até o monitoramento de redes sociais e o acompanhamento da concorrência.

Essa abordagem orientada por dados permite ajustes rápidos e precisos, reduzindo desperdícios e identificando oportunidades de melhoria. A fonte não detalhou quais tecnologias específicas são empregadas, mas o uso de inteligência artificial e analytics é cada vez mais comum no varejo alimentar. A integração dessas ferramentas com a operação diária tem sido um diferencial competitivo para a rede.

A gestão de pessoas também é um pilar da expansão. A empresa desenvolveu um programa de treinamento que forma profissionais no Brasil e os envia para os Estados Unidos, onde a marca tem forte presença. “Nós levamos umas 350 famílias para os Estados Unidos”, contou Antunes. Os funcionários são enquadrados como mão de obra especializada e seguem com suas famílias, o que facilita a adaptação e reduz a rotatividade.

Expansão americana impulsiona meta de US$ 1 bi

O mercado americano é peça-chave na estratégia de crescimento da Fogo de Chão. A empresa já opera diversas unidades nos EUA e planeja continuar expandindo. A transferência de 350 famílias brasileiras demonstra o compromisso com a qualidade do serviço, replicando o padrão de atendimento que é marca registrada da rede.

O modelo de levar profissionais treinados do Brasil garante consistência na experiência do cliente, independentemente da localização. Além disso, fortalece a cultura organizacional e cria um senso de pertencimento entre os colaboradores. A fonte não detalhou o número total de restaurantes nos EUA nem o cronograma de novas aberturas, mas a meta de US$ 1 bilhão em faturamento indica um plano agressivo de crescimento.

No Brasil, a empresa também avalia oportunidades de expansão, embora os detalhes não tenham sido revelados na entrevista. A combinação de inovação no cardápio, eficiência operacional e expansão geográfica forma a base da estratégia para alcançar o ambicioso objetivo financeiro.

Reinvenção sem perder a essência

A trajetória recente da Fogo de Chão ilustra como uma marca tradicional pode se adaptar às mudanças do mercado sem abrir mão de sua identidade. A pandemia, que forçou o fechamento temporário de restaurantes em todo o mundo, serviu como catalisador para a transformação. Em vez de apenas sobreviver, a empresa usou o período para repensar processos e ofertas.

O foco em novas experiências para 20% dos clientes mostra uma leitura atenta das tendências de consumo. Ao mesmo tempo, a manutenção do rodízio como carro-chefe preserva a base fiel de frequentadores. Esse equilíbrio entre tradição e inovação é um desafio constante no setor de alimentação, e a Fogo de Chão parece ter encontrado uma fórmula promissora.

A série Mesa de Negócios da Bloomberg Línea, que trouxe a entrevista com Paulo Antunes, destaca casos em que a gastronomia e o empreendedorismo se entrelaçam de forma relevante no cenário brasileiro. A história da Fogo de Chão é um exemplo de como a gestão estratégica pode transformar uma casa de carnes em uma marca global.

A meta de US$ 1 bilhão em faturamento é ambiciosa, mas a combinação de expansão nos EUA, otimização de custos e inovação no serviço coloca a empresa em uma trajetória sólida. Resta acompanhar se a estratégia renderá os frutos esperados nos próximos anos.

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