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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

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EUA cancelam visto de procurador que investiga Cerimedo

Os Estados Unidos cancelaram o visto do procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, por suposto envolvimento em corrupção e narcotráfico. Mariaca nega as acusações e afirma que a medida pode estar ligada à investigação do caso Cerimedo, que envolve o marketeiro argentino Fernando Cerimedo.

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EUA cancelam visto de procurador que investiga Cerimedo
Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

O governo dos Estados Unidos cancelou o visto de entrada do procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, sob a acusação de envolvimento em corrupção significativa e facilitação do narcotráfico. A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado, liderado por Marco Rúbio, e gerou reação imediata do governo boliviano, que classificou a restrição como violação à soberania nacional. Mariaca, por sua vez, afirmou que a decisão não condicionará as investigações em curso no país.

Acusações dos EUA contra Mariaca

Segundo comunicado do Departamento de Estado, a política de restrição de vistos se aplica a estrangeiros que prejudicam governos democraticamente eleitos por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico na região. O texto afirma que Mariaca “abusou de seus cargos públicos ao solicitar e aceitar subornos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça”. As acusações, no entanto, foram feitas sem apresentação de provas.

O procurador-geral boliviano respondeu que não aceitará que decisões externas, “sejam políticas ou de qualquer outra natureza”, condicionem as investigações das instituições bolivianas. Ele acrescentou que “nenhuma pressão política, nacional ou internacional pode se transformar em um impedimento para esclarecer questões que devem ser investigadas”. A fonte não detalhou se Mariaca pretende recorrer da decisão.

Mariaca cita caso Cerimedo

Em resposta à Casa Branca, Mariaca classificou a restrição a seu visto como uma violação à soberania do país e citou o caso Cerimedo. “Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacionais. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferentes âmbitos políticos”, afirmou. A declaração sugere que a investigação sobre o marketeiro argentino pode ter motivado a retaliação norte-americana.

Fernando Cerimedo é investigado por operar uma rede digital para políticos de direita na América Latina. A polícia boliviana encontrou uma “fazenda de cliques” em um endereço ligado ao investigado, usada para mobilizar robôs nas redes sociais. Cerimedo também foi preso por suposta tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller e investigado por suposto tráfico de drogas e enriquecimento ilícito.

Reação do governo boliviano

O governo de Rodrigo Paz afirmou que pedirá mais informações ao governo Donald Trump sobre as acusações antes de iniciar uma investigação interna. “As declarações e acusações dos Estados Unidos são bastante sérias, e o governo as encara com a máxima seriedade”, afirmou o ministro da Defesa, Ernesto Justiniano. O porta-voz da Presidência, Fernando Aramayo Carrasco, disse que o governo local responderá a decisões soberanas dos EUA sobre cancelamento de vistos.

“Vamos prestar toda a colaboração, para que se adiantem as investigações e as ações que correspondem à institucionalidade boliviana”, disse Aramayo. A fonte não detalhou quais medidas concretas serão adotadas pelo governo boliviano. A tensão diplomática ocorre em um momento de crescente escrutínio sobre a atuação de consultores políticos estrangeiros na região.

Quem é Fernando Cerimedo

Fernando Cerimedo, também conhecido como “Consultor do Ano” pela organização Latino Wall Street, é um marketeiro digital argentino com forte atuação na política latino-americana. Ele assessorou, no ambiente digital, os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Bolívia, Rodrigo Paz. A revista inglesa The Economist o apontou como “o homem do Maga na América Latina”, em alusão ao slogan político de Donald Trump.

No Brasil, Cerimedo se tornou conhecido em 2022, logo após o segundo turno das eleições presidenciais, por ter participado de transmissão ao vivo na internet na qual sustentava, sem provas, que o resultado das urnas tinha sido fraudado. Em fevereiro de 2026, ele ganhou o prêmio de “consultor político hispânico do ano” em cerimônia realizada na residência de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. O prêmio foi entregue pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Investigações e polêmicas

Cerimedo foi preso na Bolívia por tentativa de feminicídio a tiros contra a ativista e advogada boliviana Nadia Beller, que o acusa de ser o mandante do atentado. Ele também é investigado por suposto tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. A polícia boliviana encontrou uma “fazenda de cliques” em um endereço ligado ao investigado, usada para mobilizar robôs nas redes sociais.

O caso ganhou contornos políticos após a premiação em Mar-a-Lago, que contou com a presença de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado foi condenado por coação no curso de processo judicial por ter articulado, junto à Casa Branca, o tarifaço contra o Brasil para evitar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro, pai de Eduardo, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O procurador-geral boliviano Roger Mariaca acrescentou que “o povo boliviano tem direito a conhecer a veracidade das denúncias que foram apresentadas, incluindo aquelas relacionadas com ameaças de corrupção relacionadas aos combustíveis”. A fonte não detalhou a relação entre o caso Cerimedo e as acusações de corrupção nos combustíveis. A situação permanece em aberto, com ambos os governos trocando declarações públicas.

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