Pular para o conteúdo

Agora

Birigui Notícias

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Brasil e Mundo

Protestos contra despejo em Madri entram no 3º dia

Protestos em Madri entram no terceiro dia após despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos. Manifestantes acampam na Puerta del Sol e pedem proteção a inquilinos diante da alta dos aluguéis.

6 min de leitura
Protestos Madri despejo entram no 3º dia
Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

Manifestantes iniciaram nesta segunda-feira (28) o terceiro dia acampados em frente à sede do governo regional de Madri para se opor ao despejo de uma idosa e exigir maior proteção aos inquilinos diante da escassez de moradias e do aumento vertiginoso dos aluguéis. A mobilização ganhou força após o caso de Maricarmen Abascal, de 87 anos, retirada de sua casa em uma maca na semana passada.

Os protestos se intensificaram na semana passada depois que a polícia despejou Maricarmen Abascal, de 87 anos, em uma maca, de sua casa em Madri, onde morava há mais de sete décadas, devido a uma ordem de despejo obtida pelo fundo de investimento que comprou seu apartamento. Centenas de pessoas do lado de fora do prédio entraram em confronto com a polícia, enquanto o governo central de esquerda condenou o governo regional de centro-direita, que não conseguiu impedir o despejo.

A indignação com o caso se espalhou rapidamente pelas redes sociais e mobilizou coletivos de moradia. O despejo de uma pessoa idosa, que vivia no mesmo imóvel desde a infância, tornou-se símbolo da crise habitacional que afeta especialmente os mais vulneráveis. A atuação policial durante a retirada também foi alvo de críticas por parte de organizações de direitos humanos.

Acampamento na Puerta del Sol cresce

Centenas de barracas ocupavam hoje a praça central Puerta del Sol, ecoando os protestos de 2011, quando o local ficou ocupado por um mês por ativistas que se manifestavam contra as medidas de austeridade adotadas durante a crise financeira global. A praça, tradicional ponto de encontro de manifestações em Madri, voltou a ser palco de uma ocupação prolongada.

Ao cair da noite na Puerta del Sol, onde fica o escritório de Isabel Díaz Ayuso, presidente de centro-direita da Comunidade de Madri, dezenas de ativistas montaram barracas, e seu número vem crescendo constantemente desde então. A presença das barracas em frente à sede do governo regional é um recado direto às autoridades locais, acusadas de omissão diante da crise de moradia.

O acampamento se organiza em comissões de limpeza, alimentação e segurança, segundo relatos de participantes. A estrutura lembra as acampadas do movimento 15-M, que há uma década ocupou a mesma praça. A diferença, agora, é o foco específico na questão habitacional e nos despejos promovidos por fundos de investimento.

Marcha reuniu 30 mil no sábado

No sábado (26), cerca de 30 mil pessoas marcharam por Madri para se opor ao tratamento dado a Maricarmen e a outras pessoas expulsas de suas casas por fundos de investimento. A manifestação percorreu as principais ruas do centro e terminou em frente ao prédio onde a idosa morou por mais de 70 anos.

Os manifestantes agitavam chaves e carregavam faixas com slogans como “Especuladores, voltem para casa” e “Moradia é para morar”. O gesto de agitar chaves tornou-se um símbolo dos movimentos de inquilinos na Espanha, representando a luta pelo direito de permanecer em suas casas.

A marcha contou com a presença de famílias, jovens e idosos, refletindo a amplitude do problema. Muitos participantes relataram dificuldades para pagar aluguel ou medo de receber ordens de despejo. A organização estimou que o número de presentes superou as expectativas iniciais, mostrando a força do movimento.

Jovens enfrentam dificuldade para sair de casa

Blanca, uma estudante, disse que os jovens espanhóis estão enfrentando dificuldades para sair da casa dos pais. A declaração reflete um cenário em que a emancipação residencial é cada vez mais tardia, devido aos altos preços dos aluguéis e à precariedade do mercado de trabalho.

“Os políticos não só não fazem nada como ainda pioram a situação”, declarou. “Decidimos nos posicionar com firmeza, então esperemos que eles nos ouçam.” A fala da estudante sintetiza o sentimento de frustração com a classe política, acusada de não enfrentar a especulação imobiliária.

A presença de jovens no acampamento e nas marchas é significativa. Muitos veem na luta por moradia uma pauta central para o futuro, já que a dificuldade de alugar ou comprar um imóvel adia planos de vida, como formar família ou mudar de cidade por trabalho.

Governo central anuncia decreto de moradia

O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou, no domingo, que o governo trabalha para aprovar, até amanhã (29), no Parlamento um decreto sobre moradia que traria alívio imediato aos inquilinos. A declaração foi feita em meio à pressão das ruas e à repercussão do despejo de Maricarmen.

O decreto, segundo o governo, incluiria medidas para limitar aumentos abusivos de aluguel e ampliar a proteção contra despejos. No entanto, detalhes sobre o conteúdo e a viabilidade de aprovação no Parlamento ainda não foram divulgados. A fonte não detalhou quais seriam os mecanismos de alívio imediato.

A promessa de Sánchez ocorre em um momento de tensão política entre o governo central, de esquerda, e o governo regional de Madri, de centro-direita. O caso de Maricarmen expôs as divergências sobre a responsabilidade na proteção aos inquilinos e na regulação do mercado imobiliário.

Aluguéis dobraram na última década

Os aluguéis, em média, dobraram na última década, superando em muito o crescimento dos salários. Esse descompasso entre renda e custo de moradia é apontado como uma das causas centrais da crise habitacional que alimenta os protestos.

O aumento dos preços é atribuído, em parte, à entrada de fundos de investimento no mercado residencial, que compram imóveis para alugar ou revender com lucro. A prática, conhecida como financeirização da moradia, reduz a oferta de imóveis acessíveis e pressiona os valores para cima.

Em Madri, a situação é particularmente grave, com bairros inteiros passando por processos de gentrificação e expulsão de moradores antigos. O caso de Maricarmen, que vivia no mesmo apartamento há mais de 70 anos, ilustra como até inquilinos de longa data estão vulneráveis a ordens de despejo.

Protestos se espalham pela Espanha

Outros protestos estavam previstos para ocorrer em toda a Espanha nesta segunda-feira, de acordo com o Sindicato dos Inquilinos, que vem coordenando as manifestações. A entidade tem organizado atos em diversas cidades para pressionar por mudanças na legislação de moradia.

A coordenação nacional dos protestos indica que a insatisfação com a política habitacional não se restringe a Madri. Cidades como Barcelona, Valência e Sevilha também registram mobilizações contra despejos e altos aluguéis, embora a fonte não tenha detalhado o número de participantes previstos.

O Sindicato dos Inquilinos defende a proibição de despejos sem alternativa habitacional e o controle de preços de aluguel em áreas tensionadas. A pauta ganhou visibilidade com o caso de Maricarmen, mas reflete demandas antigas do movimento por moradia digna.

Enquanto o acampamento na Puerta del Sol segue crescendo, a expectativa é de que a pressão popular influencie a votação do decreto de moradia no Parlamento. A resposta do governo central e a postura do governo regional de Madri serão decisivas para os rumos da crise.

Fonte

Compartilhar

Deixe seu comentário

Seu e-mail não aparece publicamente. A redação modera antes de publicar.

Leia também