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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Economia

Justiça encerra recuperação judicial da Americanas

A Justiça encerrou a recuperação judicial da Americanas, considerando que os credores aprovaram o plano sem ressalvas. A decisão ainda admite recurso. O caso teve origem em inconsistências contábeis de R$ 20 bilhões e resultou em denúncias criminais contra ex-executivos.

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Justiça encerra recuperação judicial da Americanas
Crédito: revistaoeste.com

A Justiça encerrou, nesta semana, o processo de recuperação judicial da Americanas, uma das maiores varejistas do país. A decisão foi proferida após a constatação de que os credores aprovaram o plano de recuperação sem ressalvas e aceitaram as condições de pagamento estabelecidas. O encerramento marca o fim de um capítulo que se arrastava desde o início de 2023, quando a companhia revelou um rombo contábil bilionário.

O juiz responsável pelo caso considerou que eventuais divergências sobre cálculos não impedem o encerramento do processo. A sentença, no entanto, ainda admite recurso, o que pode prolongar a disputa judicial. A Americanas, por sua vez, não se manifestou oficialmente sobre a decisão até o momento.

Credores aprovaram plano sem ressalvas

O plano de recuperação judicial foi aprovado pelos credores em dezembro de 2023, após meses de negociações. A Justiça homologou o acordo em fevereiro de 2024, conferindo validade jurídica às condições acertadas. O plano estabeleceu as bases para o pagamento das dívidas e a continuidade das operações da varejista.

Entre os pontos centrais do acordo, estavam a repactuação de prazos e a injeção de capital por parte dos acionistas de referência. A aprovação sem ressalvas foi um passo decisivo para que o processo chegasse ao encerramento. A decisão judicial reforça que os credores aceitaram integralmente as condições propostas, sem objeções formais.

Origem da crise: rombo de R$ 20 bilhões

A crise da Americanas teve início em janeiro de 2023, quando a empresa anunciou inconsistências contábeis de aproximadamente R$ 20 bilhões. A revelação abalou o mercado financeiro e gerou uma onda de desconfiança entre investidores e credores. No pregão seguinte ao anúncio, as ações da companhia despencaram 77%.

O rombo foi atribuído a lançamentos inadequados relacionados a operações de risco sacado, uma modalidade de crédito a fornecedores. A descoberta levou a empresa a pedir recuperação judicial dias depois, em uma das maiores crises corporativas da história recente do varejo brasileiro. A queda no valor de mercado foi estimada em dezenas de bilhões de reais.

Investigações criminais e denúncia contra ex-executivos

O caso também resultou em investigações criminais. Na última sexta-feira, 16, a Justiça aceitou denúncia do Ministério Público Federal contra 12 ex-executivos da Americanas, acusados de participação nas fraudes contábeis. Entre eles está o ex-presidente Miguel Gutierrez, que nega as acusações.

A denúncia representa um desdobramento significativo, pois atribui responsabilidade individual a antigos gestores. As investigações apuram se houve manipulação de resultados e ocultação de passivos. A defesa dos acusados afirma que não houve dolo e que as práticas contábeis eram auditadas regularmente.

Impactos para credores e mercado

O encerramento da recuperação judicial traz previsibilidade para os credores, que agora podem executar os pagamentos conforme o plano aprovado. A Americanas, por sua vez, deverá seguir com as operações sob as novas condições financeiras. O processo de reestruturação envolveu a venda de ativos e a renegociação de dívidas com bancos e fornecedores.

Para o mercado, a decisão sinaliza que o sistema de recuperação judicial pode funcionar mesmo em casos de grande complexidade. Ainda assim, a possibilidade de recurso mantém um grau de incerteza. Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que o caso serve de alerta para práticas de governança corporativa.

Próximos passos e possibilidade de recurso

Como a sentença admite recurso, as partes envolvidas podem contestar a decisão em instâncias superiores. Caso isso ocorra, o encerramento definitivo poderá ser adiado. A Americanas não informou se pretende recorrer. Os credores também não se pronunciaram publicamente sobre o tema.

Enquanto isso, a empresa segue operando suas lojas físicas e o comércio eletrônico. A recuperação judicial foi um instrumento para evitar a falência e preservar empregos. O desfecho do caso, porém, ainda depende de eventuais recursos e do cumprimento integral do plano.

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