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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Economia

Justiça torna réus 12 ex-executivos da Americanas por fraude

A Justiça Federal recebeu denúncia do Ministério Público Federal e tornou réus 12 ex-executivos da Americanas por fraudes contábeis. Um 13º denunciado firmou acordo de colaboração premiada. A investigação aponta registro de verbas publicitárias fictícias e ocultação de operações de risco sacado.

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Justiça torna réus 12 ex-executivos da Americanas por fraude
Crédito: revistaoeste.com

A Justiça Federal recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) e tornou réus 12 ex-executivos da Americanas. A decisão, proferida após mais de um ano de análise, marca um avanço significativo na apuração de um dos maiores escândalos corporativos do país. O caso envolve a suspeita de fraudes contábeis que inflaram artificialmente os resultados da varejista e ocultaram dívidas bilionárias.

O MPF havia denunciado 13 ex-funcionários em março de 2025. Um deles, o ex-diretor Márcio Cruz, firmou acordo de colaboração premiada em outubro daquele ano. Com o recebimento da denúncia, os outros 12 passaram à condição de réus. A fonte não detalhou os nomes dos demais acusados.

A decisão demorou mais de um ano depois da apresentação da denúncia. Nesse período, as defesas questionaram o acesso às provas, que incluem 48 discos rígidos. As autoridades também realizaram verificações para avaliar a integridade do material. A demora reflete a complexidade do caso e o volume de dados apreendidos.

Práticas fraudulentas identificadas na investigação

A investigação identificou duas práticas centrais. A primeira consistia no registro de verbas publicitárias fictícias, que inflavam artificialmente os resultados da companhia. A segunda envolvia a ocultação de operações de risco sacado, usadas para financiar pagamentos a fornecedores. Essas manobras teriam permitido mascarar a real situação financeira da empresa por anos.

O risco sacado é uma modalidade de antecipação de recebíveis em que o banco paga o fornecedor e a empresa devedora quita depois. Quando não registrado adequadamente, vira dívida oculta. No caso da Americanas, a omissão teria distorcido balanços e enganado investidores. A fonte não detalhou o período exato em que as práticas ocorreram.

Essas revelações vieram à tona em janeiro de 2023, quando a Americanas anunciou um rombo contábil estimado em R$ 20 bilhões. A Polícia Federal e o MPF investigam o caso na Operação Disclosure. O nome da operação remete à necessidade de transparência nas informações financeiras.

Vídeo: YouTube | Fonte: revistaoeste.com

Acionistas não estão entre os réus

Os principais acionistas, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, não integram o grupo de réus desta ação. Segundo a investigação descrita na denúncia, eles teriam sido enganados pelos ex-executivos. As apurações sobre os sócios, contudo, continuam. A fonte não detalhou o estágio dessas investigações paralelas.

Em junho de 2026, a Polícia Federal deflagrou uma segunda fase da operação para apurar o papel de bancos e a possível participação de acionistas. A ação incluiu buscas relacionadas a Sicupira, ao filho de Lemann, a um ex-presidente do conselho e a executivos de instituições financeiras. Essa fase amplia o escopo da investigação para além dos ex-diretores.

A distinção entre réus e investigados é importante. Enquanto os 12 ex-executivos agora respondem a ação penal, os acionistas seguem sob apuração. A fonte não detalhou se haverá novas denúncias.

Reação da Americanas

A Americanas afirmou que ainda não havia recebido a decisão judicial. Em nota, declarou confiar nas autoridades para responsabilizar os envolvidos. A empresa disse ter sido vítima de uma fraude deliberada que comprometeu controles internos, registros contábeis e informações divulgadas ao mercado. A nota não menciona medidas adicionais.

A postura da varejista reforça a tese de que a fraude foi orquestrada por um grupo restrito de executivos. No entanto, a investigação ainda apura a extensão do conhecimento de outros níveis hierárquicos. A fonte não detalhou se a empresa colabora ativamente com as autoridades.

O recebimento da denúncia é um passo processual relevante, mas não implica condenação. Os réus terão direito a ampla defesa e contraditório. O caso deve se arrastar por anos, dada a complexidade das provas e o número de envolvidos.

Próximos passos do processo

Com a decisão, os 12 réus serão citados para apresentar defesa prévia. Depois, o juiz analisará se há necessidade de produção de novas provas. A fonte não detalhou prazos ou audiências já marcadas. A expectativa é que o processo tramite na Justiça Federal, mas a fonte não confirmou a vara responsável.

A colaboração premiada de Márcio Cruz pode trazer novos elementos. Acordos desse tipo costumam incluir depoimentos detalhados e entrega de documentos. A fonte não detalhou o conteúdo do acordo nem os benefícios concedidos ao ex-diretor.

Enquanto isso, a Americanas tenta se reestruturar após o rombo bilionário. A empresa passou por recuperação judicial e mudanças na gestão. A fonte não detalhou a situação financeira atual da companhia.

Impacto no mercado e na confiança

O caso Americanas abalou a confiança de investidores no mercado de capitais brasileiro. A revelação do rombo levou a uma queda acentuada das ações e a questionamentos sobre a eficácia dos órgãos de controle. A fonte não detalhou o valor exato da perda de valor de mercado.

Além disso, o episódio expôs fragilidades na governança corporativa de grandes empresas. A ocultação de dívidas por meio de risco sacado não era amplamente divulgada nos balanços. Reguladores passaram a exigir mais transparência sobre essas operações. A fonte não detalhou mudanças regulatórias específicas.

Para os investidores, o processo criminal é um sinal de que as autoridades estão atuando. No entanto, a morosidade da Justiça ainda gera críticas. A decisão de receber a denúncia após mais de um ano é vista como um avanço, mas o desfecho está longe.

Contexto da Operação Disclosure

A Operação Disclosure foi deflagrada para investigar as fraudes contábeis na Americanas. O nome em inglês significa “divulgação” ou “revelação”, em referência à necessidade de transparência. A operação é conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o MPF. A fonte não detalhou o número de mandados cumpridos na primeira fase.

A segunda fase, em junho de 2026, ampliou o foco para bancos e acionistas. As buscas incluíram endereços ligados a figuras de destaque no mundo empresarial. A fonte não detalhou o resultado dessas buscas nem se houve prisões.

A investigação continua em andamento, e novas revelações podem surgir. A fonte não detalhou se há outros acordos de colaboração em negociação. O caso segue como um dos mais emblemáticos da história corporativa brasileira.

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