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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Polícia

Menino de 2 anos tem morte encefálica como risco; mãe e padrasto são presos

3 min de leitura
Colaboração Lázaro Jr

A Justiça de Araçatuba decretou, no fim da manhã desta terça-feira (20), a prisão preventiva da mãe e do padrasto de um menino de apenas 2 anos, internado em estado gravíssimo na Santa Casa do município. O casal, de 27 e 26 anos, respectivamente, é investigado por tentativa de homicídio e tortura-castigo após a criança dar entrada no hospital com múltiplas lesões pelo corpo.

Os dois haviam sido presos em flagrante durante a madrugada. A decisão judicial foi tomada após a análise do caso, que mobilizou a Polícia Militar, a Polícia Civil e o Conselho Tutelar.

Conforme informações apuradas pela reportagem da Folha da Região junto à Polícia Civil, as equipes foram acionadas na tarde de segunda-feira (19), após a criança ser levada para atendimento médico. Na Santa Casa, profissionais da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) relataram a gravidade do quadro clínico, com ferimentos principalmente na cabeça, comprometimento pulmonar e risco de morte encefálica.

Questionada sobre o que havia acontecido, a mãe afirmou que o menino teria caído da cama enquanto estava sob os cuidados do padrasto. Antes de chegar à Santa Casa, a criança havia passado pelo Pronto-Socorro Municipal, de onde foi transferida em caráter de emergência.

A mulher, que está grávida, também recebeu atendimento médico após passar mal durante a permanência no hospital. Segundo o registro policial, depois de ser atendida, ela retornou para casa e não permaneceu acompanhando a internação do filho. As circunstâncias chamaram a atenção das autoridades e contribuíram para o avanço das diligências.

Ferimentos levantaram suspeitas da equipe médica

Além das lesões na cabeça, o menino apresentava ferimentos e fraturas nos ombros, nas costas e em uma das pernas. De acordo com a avaliação médica inicial, o conjunto de lesões não seria compatível com uma simples queda da cama, versão apresentada pela mãe.

Durante a investigação, a Polícia Civil também identificou outros dois atendimentos médicos anteriores envolvendo a criança.

O primeiro ocorreu em 15 de agosto deste ano, quando o menino foi levado ao Pronto-Socorro Municipal com edema e dor na região posterior do ombro. Na ocasião, a mãe teria atribuído os ferimentos a uma queda de um colchão.

Em 8 de outubro, a criança voltou à mesma unidade de saúde, desta vez com edema na região genital. Os registros passaram a integrar os elementos analisados pelos investigadores para esclarecer a origem e a evolução dos ferimentos.

Casal responderá por tentativa de homicídio e tortura-castigo

Com base nos elementos reunidos, incluindo depoimentos dos investigados e de testemunhas, a delegada responsável pelo caso determinou a prisão em flagrante da mãe e do padrasto e solicitou à Justiça a conversão das prisões em preventivas.

Após a audiência de custódia, a Justiça decretou a prisão preventiva dos dois.

Conforme o registro policial, o casal foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado, com apontamentos relacionados ao motivo fútil, ao recurso que teria dificultado a defesa da vítima e à condição de a criança ter menos de 14 anos. Os dois também foram indiciados por tortura-castigo, crime relacionado à submissão de pessoa sob guarda, poder ou autoridade a intenso sofrimento físico ou mental como forma de castigo.

As suspeitas ainda serão apuradas durante o inquérito policial. A responsabilização criminal dependerá do andamento das investigações e do processo judicial.

Outros dois filhos foram encaminhados para acolhimento

O Conselho Tutelar também acompanhou a ocorrência. Segundo o órgão, a família teria se mudado para Araçatuba em meados deste ano e não havia registros anteriores de atendimento envolvendo a residência, localizada no bairro Águas Claras.

Diante da gravidade do caso, os outros dois filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional.

A Polícia Civil prossegue com as investigações para esclarecer as circunstâncias dos ferimentos, identificar eventuais responsabilidades e reunir os elementos necessários à conclusão do inquérito.

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