Ucrânia combate Rússia em gasodutos subterrâneos
A Ucrânia concluiu uma operação para caçar tropas russas dentro de um gasoduto de 15 quilômetros próximo a Kupiansk, eliminando ao menos 100 combatentes e prendendo 30. A ação revela o uso crescente de dutos desativados como rotas ocultas de infiltração e combate no front leste.
Na última semana, a Ucrânia concluiu uma operação para caçar soldados russos dentro de um gasoduto de cerca de 15 quilômetros próximo à cidade de Kupiansk, na frente leste de batalha. A ação resultou na eliminação de ao menos 100 combatentes russos e na prisão de 30. O confronto subterrâneo marca uma nova etapa na guerra, em que dutos desativados se transformam em corredores de infiltração e palco de combates diretos.
A operação foi deflagrada após as forças ucranianas identificarem a rota de infiltração russa e a reduzida presença inimiga em determinados trechos. A partir dos acessos em Mirove e Radkivka, os militares ucranianos entraram nos dutos e travaram combates no interior da tubulação até alcançarem Holubivka. A manobra resultou na captura de prisioneiros e na retomada do controle ucraniano sobre os trechos subterrâneos que ultrapassam a margem do rio.
Gasodutos viram rota de infiltração
Em vez de se deslocarem exclusivamente por estradas, campos e florestas expostos ao ataque de drones, soldados passaram a usar os gasodutos desativados para chegar a posições próximas da linha de frente, transportar mantimentos e munições e retirar militares feridos. Com tubulações de cerca de 1,20 metro de altura, o que obriga os combatentes a se deslocarem curvados, e enterrados a aproximadamente 4 metros abaixo do solo, os dutos oferecem abrigo contra a vigilância e o ataque de drones de superfície, setor em que as forças ucranianas mantêm vantagem tática.
A utilização dos dutos não começou com os ucranianos. Tropas russas foram as primeiras a recorrer a essas estruturas durante a guerra, retomando uma prática que lembra o uso de túneis em conflitos anteriores, especialmente na Primeira Guerra Mundial. No fim de 2025, militares russos utilizaram os corredores subterrâneos para se infiltrar em Kupiansk. Haviam feito o mesmo na campanha de retomada de territórios em Kursk, na Rússia.
O emprego dessa infraestrutura demonstra como instalações civis podem ganhar uma função militar em situações de guerra. No caso ucraniano, a adaptação também responde a uma dificuldade concreta: manter o abastecimento e a circulação de tropas em áreas submetidas à vigilância e aos ataques aéreos.
Combate corpo a corpo nos dutos
Os ucranianos enfrentaram os russos com metralhadoras e granadas dentro do gasoduto. Sem conseguir avançar, cortaram as paredes do gasoduto, cavaram um túnel paralelo e novamente cortaram a parede do gasoduto mais à frente, flanqueando a posição de defesa dos russos. A tática permitiu surpreender o inimigo e quebrar a resistência no interior da tubulação.
Por sua vez, as tropas russas têm recorrido também à perfuração externa das paredes dos tubos e a escavações laterais na tentativa de desobstruir as passagens, sinalizando o desdobramento de uma guerra subterrânea contínua pelo controle das rotas ocultas no front leste. A disputa por esses corredores reflete a importância estratégica de se mover sem ser detectado por drones e satélites.
Operação planejada e confirmada
A agência ucraniana Ukrinform também publicou informações sobre a operação, citando o comandante do Corpo Khartia, general de brigada Ihor Obolienskyi. Segundo o relato, os militares ucranianos observaram previamente a movimentação russa e prepararam a própria atuação subterrânea. A Euronews informou em 28 de outubro que a ação permitiu às forças ucranianas utilizar a rede de tubulações para chegar à retaguarda russa em Kupyansk. A emissora destacou que a tática havia sido empregada anteriormente pelas forças de Moscou e foi posteriormente incorporada pelos ucranianos.
Parte da produção militar e da logística ucraniana já foi transferida para estruturas subterrâneas, segundo a reportagem. A possibilidade de conectar diferentes pontos por meio de túneis indica que a experiência com os gasodutos pode ultrapassar o uso pontual de corredores industriais abandonados. A guerra subterrânea, assim, deixa de ser uma exceção e se consolida como frente de batalha.
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