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segunda-feira, 2 de novembro de 2026

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Eleições nos EUA definem futuro político de Trump

Cerca de 210 milhões de eleitores americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para eleger toda a Câmara e um terço do Senado. O resultado definirá o controle do Legislativo sobre o presidente Donald Trump, com possíveis reflexos na política externa e nas relações com o Brasil.

4 min de leitura
Eleições nos EUA definem futuro político de Trump
Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

Washington, EUA — Os cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para eleger todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes, além de 35 das 100 cadeiras do Senado. Os estadunidenses ainda devem escolher governadores em 36 dos 50 estados do país. O pleito é visto como um referendo sobre o governo de Donald Trump e pode redefinir o equilíbrio de poder em Washington.

Maioria republicana está em jogo

Atualmente, as duas casas legislativas contam com uma apertada maioria de republicanos, o que concede maior liberdade para Trump implementar suas políticas. Uma derrota em qualquer uma das câmaras pode limitar a agenda presidencial e abrir espaço para investigações. A disputa é acirrada em dezenas de distritos, e o resultado pode levar dias para ser confirmado.

Ao longo dos últimos meses, a desaprovação do presidente dos EUA vem crescendo e alcançou 61%, contra 36% de aprovação, segundo uma média de pesquisas calculada pelo jornal The New York Times. Esse cenário desfavorável mobilizou o mandatário, que intensificou viagens pelo país em campanha para os aliados.

Trump promete bônus e viaja pelo país

Nesse cenário desfavorável, Trump prometeu pagar US$ 5 mil para cada adulto do país caso os republicanos vençam as eleições da Câmara e do Senado e tem viajado o país nos últimos dias em campanha para os aliados. A promessa, sem detalhamento de fonte de recursos, foi criticada por democratas como manobra eleitoral. Ainda assim, o presidente aposta na fidelidade de sua base para manter o controle do Congresso.

Paulo Abraão é diretor-executivo da Brazil Office Alliance – organização que conecta pesquisadores brasileiros que atuam nos EUA – e avalia que o resultado da eleição vai definir o controle que o Legislativo terá sobre o presidente Trump. “Se a oposição conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar sua agenda legislativa. O controle da Câmara é particularmente relevante para a fiscalização”, explicou à Agência Brasil.

Senado define nomeações e juízes

Abraão acrescentou que o controle do Senado dá poder para confirmar ou rejeitar a nomeação de autoridades e juízes. “Se os republicanos mantiverem as duas Casas, Trump terá condições políticas mais favoráveis para avançar sua agenda, embora isso não elimine divergências dentro do próprio partido”, completou o diretor da Brazil Office Alliance. A capacidade de aprovar indicações para a Suprema Corte e cargos-chave do Executivo está diretamente ligada à composição da Casa Alta.

Há uma expectativa de que uma vitória democrata promova alguma mudança na política externa dos EUA, em especial, em relação à guerra no Irã. O especialista Paulo Abraão pondera que a Presidência dos EUA tem uma ampla margem de ação na política externa, ainda que sem maioria no Parlamento. “Um Congresso mais independente pode aumentar os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, sem comandar a diplomacia”, destacou.

Relações com o Brasil podem mudar

O enfraquecimento político de Donald Trump, caso perca maioria em uma ou nas duas Casas do Congresso, deve repercutir também nas relações dos EUA com o Brasil, marcada pelo tarifaço e atritos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Abraão avalia que os democratas podem ampliar a investigação sobre a atuação da família Bolsonaro nos EUA, expondo suas conexões com o governo Trump.

“Parlamentares democratas já vêm cobrando explicações [sobre supostas interferências de Trump no Brasil]. O ponto central seria esclarecer se instrumentos do Estado americano foram utilizados para favorecer um grupo político estrangeiro, por quais razões e sob quais fundamentos”, argumentou. Ele aponta que uma investigação parlamentar poderia apurar a denúncia contra a Meta, dona do Facebook, Instagram e Whatsapp, de favorecer o candidato Flávio Bolsonaro durante a eleição no Brasil.

Meta e vistos sob escrutínio

A redução do alcance nas redes das contas ligadas ao candidato Lula foi justificada pela big tech como “problemas técnicos”. Nas últimas semanas, congressistas democratas têm questionado a Casa Branca, por meio de cartas, desde a ação da Meta nas eleições brasileiras, até a decisão de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Esses movimentos indicam que o resultado das urnas pode intensificar ou arrefecer as tensões bilaterais.

Com a votação se aproximando, analistas observam que o controle do Congresso americano será decisivo para o ritmo das investigações e para a capacidade de Trump de avançar com sua agenda doméstica e externa. A contagem dos votos começa logo após o fechamento das urnas, mas disputas acirradas podem adiar a definição final.

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