Câncer de próstata pode atingir 77,9 mil homens por ano no Brasil
O silêncio ainda é um dos principais obstáculos na luta contra o câncer de próstata. Neste Novembro Azul, mês dedicado à conscientização sobre a saúde do homem, os números reforçam a necessidade de informação, acompanhamento médico e atenção aos sinais do próprio corpo.
Segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no triênio 2026-2028. A doença representa o tipo de câncer mais incidente entre os homens brasileiros, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
A dimensão do problema também aparece nos números de mortalidade. Em 2023, 17.258 homens morreram no Brasil em decorrência do câncer de próstata, segundo dados utilizados pelo INCA.
Doença pode não apresentar sintomas no início
Um dos fatores que tornam o câncer de próstata especialmente preocupante é que, nas fases iniciais, a doença pode não provocar sintomas perceptíveis.
Quando aparecem, alguns sinais podem incluir dificuldade para urinar, demora para iniciar ou terminar a urina, redução do jato urinário, necessidade de urinar várias vezes durante o dia ou à noite e presença de sangue na urina.
Esses sintomas, entretanto, não significam necessariamente câncer, pois também podem estar relacionados a condições benignas da próstata. Por isso, a avaliação médica é fundamental.
Quem apresenta maior risco?
A idade é um dos principais fatores de risco. O risco aumenta significativamente com o envelhecimento, especialmente a partir dos 60 anos.
Também merecem atenção os homens com histórico familiar da doença, principalmente quando pai ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos. O excesso de peso e a obesidade também estão associados a maior risco.
PSA e toque retal: quando são indicados?
O exame de sangue PSA mede uma proteína produzida pela próstata. Já o toque retal permite ao médico avaliar alterações na glândula.
É importante destacar que um PSA alterado não significa automaticamente câncer. Alterações benignas também podem elevar o resultado. Quando existe suspeita, o médico pode solicitar exames complementares e, se necessário, uma biópsia, que é utilizada para confirmar o diagnóstico.
O Ministério da Saúde não recomenda que homens sem sintomas sejam submetidos indiscriminadamente ao rastreamento populacional. A decisão sobre realizar exames deve ser individualizada, considerando os possíveis benefícios e riscos e discutida com um profissional de saúde.
Prevenção começa antes do consultório
Embora não seja possível eliminar completamente o risco da doença, hábitos saudáveis ajudam a reduzir fatores associados ao câncer e contribuem para a saúde geral.
Entre as recomendações estão:
- manter alimentação equilibrada, com frutas, verduras, legumes e cereais integrais;
- praticar atividade física regularmente;
- manter o peso adequado;
- não fumar;
- evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- manter acompanhamento médico.
O Ministério da Saúde destaca que atividade física, alimentação saudável, controle do peso e abandono do tabagismo fazem parte dos cuidados importantes para a prevenção de diferentes tipos de câncer.
Tratamento depende de cada paciente
O câncer de próstata não possui um único tratamento. A estratégia depende do estágio da doença, características do tumor, idade, condições clínicas e avaliação individual do paciente.
Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia, hormonioterapia e outras terapias, além da chamada vigilância ativa em situações específicas de tumores de baixo risco.
Quando a doença está localizada na próstata, existem possibilidades de tratamento com intenção curativa. Nos casos em que houve disseminação para outros órgãos, a abordagem pode envolver diferentes modalidades, conforme a situação clínica.
O SUS oferece diagnóstico, acompanhamento e tratamento oncológico por meio da rede pública.
Novembro Azul é mais do que uma campanha
Mais do que vestir a cor azul, o Novembro Azul é um convite para que os homens deixem o preconceito e o medo de lado e passem a olhar para a própria saúde com mais responsabilidade.
Informação não diagnostica o câncer, mas pode fazer um homem procurar ajuda no momento certo.
Em caso de sintomas, histórico familiar ou dúvidas sobre exames, a orientação é procurar uma unidade de saúde ou profissional médico para avaliação individualizada.
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