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Friday, 30 de October de 2026

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ONU aprova resolução contra bloqueio a Cuba com menos apoio

A Assembleia Geral da ONU aprovou, nesta terça-feira (29), resolução contra o bloqueio econômico a Cuba com 130 votos favoráveis, o menor apoio em 30 anos. O resultado reflete pressão do governo Trump sobre aliados. Embaixador cubano em Brasília criticou as sanções e destacou o custo humano.

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ONU aprova resolução contra bloqueio a Cuba com menos apoio
Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, nesta terça-feira (29), uma resolução que condena o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba. O texto recebeu 130 votos favoráveis, incluindo o do Brasil, 17 contrários e 25 abstenções. Em 30 anos de votações anuais, esse foi o menor apoio já registrado à proposta, que no passado chegou a somar mais de 190 votos favoráveis.

A queda expressiva no número de apoios está relacionada a uma campanha do governo de Donald Trump para convencer países aliados a rejeitarem a resolução. Em 2024, apenas dois países haviam votado contra a proposta: Israel e Estados Unidos. Neste ano, o grupo contrário cresceu para 17 nações.

Pressão de Trump muda cenário na ONU

Entre os 17 países que votaram contra a condenação do bloqueio estão Argentina, Bósnia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Hungria, Israel, Lituânia, Marrocos, Macedônia do Norte, Paraguai, Eslovênia, Trindade e Tobago, Ucrânia, Emirados Árabes Unidos, República Tcheca e Estados Unidos. A lista revela uma mudança significativa em relação ao ano anterior, quando a oposição era mínima.

O número de abstenções também saltou: em 2024 houve apenas uma, enquanto desta vez 25 países optaram por não votar. Entre eles estão nações da América Latina como Chile, Honduras, Guiana, Haiti, Jamaica e Peru, que historicamente costumavam apoiar Cuba. A pressão diplomática americana, portanto, alterou o equilíbrio de forças na assembleia.

Embaixador destaca custo humano do bloqueio

Em entrevista à Agência Brasil na embaixada em Brasília, nesta quinta-feira (29), o embaixador cubano Victor Manuel Cairo Palomo lembrou que o bloqueio é ilegal pelo direito internacional e destacou o custo humano da política de Washington. “Foram mais de 1,5 mil crianças que morreram em Cuba por não ter acesso a medicamento e por falta de combustível para manter as incubadoras daqueles que nascem prematuramente ou com baixo peso. Não são apenas números, são vidas”, lamentou.

De 2025 a 2026, em meio ao endurecimento do bloqueio pelo governo Trump, a mortalidade infantil em Cuba dobrou, passando de 4,4 bebês mortos em cada mil nascimentos para 9,9. O diplomata ressaltou que o bloqueio, adotado em retaliação à Revolução Cubana de 1959, não é um problema apenas da ilha, mas de toda a humanidade. “É um tema que tem que ver com o mundo porque hoje é Cuba, mas amanhã pode ser qualquer outro país que os EUA desejarem”, justificou.

Sanções secundárias agravam crise na ilha

O embaixador descreveu como as medidas dos EUA têm prejudicado a população cubana, entre elas as chamadas sanções secundárias, que punem empresas de outros países que comercializem com Cuba, aumentando o preço dos produtos que entram na ilha. “As sanções secundárias têm um impacto tremendo. Temos mais de 7 mil contêineres comprados por Cuba parados em portos de todo o mundo porque as transportadoras não querem entregar. Chegam à Jamaica e deixam lá porque os donos dos navios têm medo de represálias dos EUA”, explicou.

Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, os EUA têm adotado uma série de novas sanções contra o pequeno país caribenho. Entre as ações está o bloqueio energético com ameaças a países que vendam petróleo a Cuba. A medida chegou a deixar a ilha três meses sem receber nenhum barril de petróleo. Em consequência, os apagões de energia podem chegar a mais de dez horas na capital, Havana.

Impacto no turismo e resposta cubana

As medidas de asfixia econômica vêm escalando mês a mês, levando à redução dos voos internacionais a Cuba, saída de empresas hoteleiras estrangeiras e mesmo da empresa de cartões Visa, o que tem afetado o setor do turismo, o principal do país. “Se não tem combustível, você não tem capacidade para produzir ou conservar alimentos ou manter os serviços básicos públicos, transporte público, não tem capacidade para indústria”, criticou o embaixador.

Em resposta, Cuba adotou uma reforma econômica para tentar contornar o bloqueio e dinamizar a economia. O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo afirmou que ainda é cedo para avaliar o impacto das mudanças, mas apontou que estudos internos indicam condições mais favoráveis para aumentar a produção. “Estamos mudando a matriz energética para energia solar de maneira acelerada com ajuda a China e estamos trabalhando muito forte na produção de alimentos porque nosso país não pode esperar que o presidente dos EUA queira mudar seu genocídio contra a Cuba”, concluiu.

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