Protestos por moradia ocupam praças em Portugal
O aumento do custo de vida e dos aluguéis em Portugal levou manifestantes a ocuparem praças em Lisboa e Porto. A Justiça autorizou a permanência no Rossio até 24 de novembro. Ativistas reivindicam controle da especulação imobiliária e mudanças na lei de arrendamento.
O aumento do custo de vida e, principalmente, do preço dos aluguéis e de imóveis para venda em Portugal gerou uma onda de manifestações no país. Os protestos começaram com a ocupação de uma praça na cidade do Porto, há três semanas, onde os manifestantes montaram tendas. A insatisfação se espalhou e chegou à capital, Lisboa, com acampamentos em espaços públicos centrais.
Ocupações e confrontos com a polícia
Relatos divulgados nas redes sociais e por parlamentares portugueses denunciam lesões sofridas por alguns manifestantes. Isso não impediu que as tendas fossem remontadas depois de cada investida da força policial portuguesa. Nesse fim de semana, o Tribunal Administrativo de Lisboa autorizou a permanência da ocupação da Praça do Rossio até o dia 24 de novembro. A decisão judicial trouxe alívio temporário aos participantes do movimento.
Comércio local teme impactos no Natal
Comerciantes de Lisboa demonstram preocupação com os impactos no comércio da região e também com a realização de um mercado de Natal, que está previsto para ser montado na Praça do Rossio, a partir do dia 14 de novembro. A presença das tendas pode afetar a montagem das estruturas e o fluxo de consumidores. Ainda não há definição sobre como conciliar a ocupação com o evento tradicional.
Aluguéis consomem mais que 30% da renda
De acordo com o mesmo estudo, o ideal é que os aluguéis representem, no máximo, 30% dos salários. Na prática, porém, os valores praticados em Lisboa e Porto ultrapassam com folga esse percentual para a maioria dos trabalhadores. A disparidade entre renda e custo de moradia é um dos motores dos protestos.
Ativista brasileira relata dificuldade para alugar
A ativista brasileira Priscila Valadão, que também é cidadã portuguesa, é uma das porta-vozes do movimento das acampadas. Ela emigrou para Portugal há 12 anos e sentiu na pele a dificuldade de encaixar o aluguel no orçamento mensal. “No centro de Lisboa, você não consegue encontrar um apartamento tipo loft, que a gente chama aqui de T0, por menos de 1.500 euros, sendo que é o salário mínimo português é 920 euros. Então, é simplesmente impossível uma pessoa morar na cidade”, destaca.
Estratégias para pagar o aluguel
Mesmo hoje, depois de mais de uma década em Portugal, Priscila ainda precisa lançar mão de estratégias para conseguir pagar a locação. Atualmente, ela vive longe do centro de Lisboa, onde divide um imóvel com outra pessoa. A distância do centro e o compartilhamento de moradia são alternativas comuns para reduzir custos. A situação reflete a pressão financeira sobre os moradores.
Imigrantes enfrentam barreiras extras
Segundo ela, os brasileiros, assim como muitos imigrantes, acabam tendo mais dificuldades do que os próprios portugueses de conseguir uma moradia. “Doze anos atrás, eu já via pessoas falarem que os donos dos imóveis, quando ouviam pelo telefone, que [o potencial locatário] era um brasileiro, desligavam o telefone e falavam que o apartamento já estava alugado. E era mentira”, conta. A discriminação no acesso à habitação é uma queixa recorrente entre estrangeiros.
Brasileiros são a maior comunidade estrangeira
Segundo a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima) portuguesa, os brasileiros são a maior comunidade estrangeira naquele país, com 493 mil pessoas, ou seja, um terço do total de imigrantes em Portugal e 4% da população total do país (11,4 milhões). Esse número não considera aqueles com dupla nacionalidade, portanto o total de brasileiros vivendo no país europeu é ainda maior. A Embaixada do Brasil em Lisboa informou que “acompanha atentamente as manifestações”.
Especulação imobiliária e turismo pressionam preços
Priscila Valadão explica que, entre os motivos para o aumento do custo com habitação em Portugal, estão a especulação imobiliária, principalmente relacionada com fundos de investimento estrangeiros, e a destinação de imóveis a hospedagens temporárias para turistas. Investidores brasileiros, aliás, fazem parte do problema da especulação imobiliária, segundo Priscila. A restrição à compra de imóveis por fundos imobiliários é uma das demandas dos participantes dos protestos.
Nova lei de arrendamento é alvo de críticas
Os manifestantes também criticam a nova lei sobre aluguéis (chamados de “rendas” ou “arrendamentos” em Portugal), que está em tramitação no Parlamento e que pode tornar ainda mais difícil a vida de quem precisa alugar imóvel para ter onde morar. Entre as mudanças propostas pelo Novo Regime de Arrendamento Urbano estão a redução do tempo para despejos, o fim do limite de 2% para reajustes nos contratos, o aumento do valor do depósito-caução e a possibilidade de recusa, pelo proprietário, de uma renovação automática do contrato.
Há ainda reivindicações sobre controle da inflação e aumentos de salários.
Governo anuncia investimento em habitação
Segundo o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, o governo tem um plano de investimento em habitações públicas e de “dinamização” de imóveis privados. O total de investimentos previstos para o setor é de 10 bilhões de euros. Entre as políticas anunciadas por Montenegro está a construção de 133 mil residências, financiadas pelo orçamento da República e pelo Banco Europeu de Investimentos. A medida, porém, ainda não acalmou os manifestantes, que pedem ações imediatas.
Fonte
- agenciabrasil.ebc.com.br
- Rádios (radios.ebc.com.br)
- TV Brasil Eleição nos EUA define futuro de Trump e tem impacto no Brasil (tvbrasil.ebc.com.br)
Deixe seu comentário