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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Economia

Binance revela como hackers invadiram seus sistemas

A Binance detalhou o ataque que resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões em criptoativos. Criminosos usaram falsas entrevistas de emprego para comprometer funcionários e acessar ferramentas internas. O FBI atribuiu a operação ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte.

4 min de leitura
Binance revela como hackers invadiram sistemas da corretora
Crédito: revistaoeste.com

A Binance revelou nesta terça-feira, 3, que hackers usaram falsas entrevistas de emprego para invadir os sistemas da corretora e roubar US$ 6,3 bilhões em criptoativos. O ataque explorou funcionários da empresa e permitiu que os criminosos acessassem ferramentas internas. A divulgação ocorre após a conclusão de uma investigação interna que reconstituiu a sequência de eventos desde os primeiros contatos com os funcionários até a execução do ataque.

Segundo a investigação da plataforma, os invasores combinaram diferentes técnicas de engenharia social, incluindo ofertas falsas de trabalho e downloads de programas adulterados. O objetivo era conquistar a confiança dos funcionários e instalar códigos maliciosos em seus computadores. A abordagem foi gradual e personalizada, explorando a rotina e as expectativas profissionais de cada alvo. A empresa não detalhou quantos funcionários foram contatados inicialmente, mas confirmou que pelo menos três engenheiros tiveram seus dispositivos comprometidos ao longo de meses.

Primeiro comprometimento em junho

Em junho, um engenheiro baixou um programa comprometido. A Binance identificou o problema e substituiu o dispositivo, mas os invasores já haviam obtido informações sobre a equipe de infraestrutura responsável pelas carteiras digitais. Esse acesso inicial permitiu mapear a estrutura interna e identificar funcionários com privilégios elevados. A empresa afirmou que a troca do equipamento interrompeu o acesso direto naquele momento, porém os dados coletados foram usados nas etapas seguintes do ataque.

Vídeo: YouTube | Fonte: revistaoeste.com

Nova abordagem em setembro

Em setembro, outro funcionário recebeu uma proposta de emprego por meio de uma plataforma de recrutamento. Os criminosos se passaram por representantes de uma empresa inexistente e realizaram entrevistas por redes sociais e aplicativos de mensagens. Durante o processo, compartilharam fotos e vídeos pessoais para ganhar a confiança do engenheiro. Na etapa seguinte, enviaram uma tarefa que exigia o download de um arquivo com código malicioso.

A Binance não informou se o funcionário chegou a concluir a tarefa ou se o arquivo foi executado, mas confirmou que o dispositivo foi comprometido.

Acesso a ferramentas de IA

O programa permitiu que os invasores acessassem ferramentas internas de inteligência artificial da Binance e assumissem o controle de outros computadores da equipe. Um dos funcionários comprometidos tinha autorização para publicar códigos, recurso explorado pelos hackers. Com esse privilégio, os criminosos puderam inserir alterações maliciosas em sistemas críticos sem levantar suspeitas imediatas. A empresa não especificou quais ferramentas de IA foram acessadas nem por quanto tempo os invasores mantiveram o controle antes da detecção.

Execução do ataque em outubro

Em 29 de outubro, os criminosos utilizaram o acesso ao computador de um terceiro engenheiro para executar o ataque. No sábado 31, o FBI atribuiu a operação ao TraderTraitor, grupo de hackers ligado à Coreia do Norte. A atribuição foi baseada em indicadores técnicos e padrões de comportamento observados em ataques anteriores do grupo. A Binance não detalhou como o ataque foi executado tecnicamente, mas confirmou que os saques foram suspensos temporariamente para contenção de danos.

Reação do governo norte-coreano

O governo norte-coreano negou envolvimento e classificou a acusação como infundada. A declaração foi divulgada por canais oficiais, sem apresentar provas adicionais. A divergência entre a atribuição do FBI e a negativa do governo permanece sem resolução pública. A Binance não comentou diretamente a resposta norte-coreana, limitando-se a reforçar as conclusões de sua investigação interna.

Resposta da Binance e recuperação

A Binance informou que reconstruiu os sistemas de carteiras digitais e as ferramentas de inteligência artificial. A empresa também contratou especialistas externos para reforçar a segurança e afirmou ter recursos suficientes para cobrir as perdas dos clientes. Os saques foram restabelecidos. A co-CEO da corretora, Yi He, declarou que a empresa identificou e neutralizou 57 possíveis ameaças cibernéticas ligadas à Coreia do Norte em 2026. “Interceptamos muitas delas, mas o custo de não conseguir impedir sequer uma foi enorme — e isso jamais deveria ter acontecido”, afirmou.

A divulgação do caso expõe a sofisticação das táticas de engenharia social usadas contra empresas de criptomoedas. A Binance não informou se os funcionários comprometidos sofreram sanções internas ou se receberam treinamento adicional. A empresa também não detalhou o valor exato recuperado após o ataque, limitando-se a afirmar que os clientes não terão prejuízos. O episódio reforça a necessidade de protocolos rigorosos de verificação em processos seletivos e de segurança em endpoints.

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