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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Economia

Plantio de soja no Brasil atinge quase 20% em ritmo recorde

O plantio de soja no Brasil chegou a 19,77% da área estimada, o ritmo mais acelerado já registrado, segundo a Pátria AgroNegócios. Chuvas precoces favoreceram o avanço, com destaque para Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul. A aceleração pode abrir janela ideal para a segunda safra de milho.

4 min de leitura
Plantio de soja no Brasil atinge quase 20% em ritmo recorde
Crédito: forbes.com.br

O plantio da safra de soja 2026/27 do Brasil atingiu 19,77% da área total estimada, marcando o ritmo mais acelerado de semeadura já observado no país, com chuvas favorecendo as atividades nos campos, de acordo com dados da consultoria Pátria AgroNegócios divulgados na sexta-feira (9). Na mesma época do ano passado, os trabalhos cobriam 12,86% da área, enquanto a média dos últimos cinco anos para o período é de 11,55%.

“Estamos vivenciando o mais acelerado ritmo de plantio da safra de verão brasileira”, afirmou a consultoria em relatório. Segundo a Pátria, o avanço tem sido favorecido pela chegada precoce e pelos volumes satisfatórios de chuvas nas principais regiões produtoras.

Chuvas precoces impulsionam semeadura recorde

O cenário climático favorável permitiu que produtores antecipassem a entrada das máquinas no campo. A umidade adequada do solo é essencial para a germinação uniforme e o estabelecimento inicial das plantas. Em anos anteriores, a irregularidade das precipitações atrasava o início dos trabalhos, comprometendo o calendário agrícola.

Nesta temporada, as chuvas chegaram mais cedo e com volumes suficientes em grande parte do cinturão produtor. Isso reduziu a necessidade de replantio em muitas áreas, embora algumas regiões específicas ainda enfrentem desafios. A consultoria destacou que o ritmo atual supera com folga os índices históricos, evidenciando uma janela de plantio excepcionalmente aberta.

A aceleração dos trabalhos com a soja é importante para as culturas de segunda safra se desenvolverem dentro da melhor janela climática. Além disso, pode permitir que a colheita da soja seja antecipada, se as condições climáticas continuarem favoráveis, de forma geral, no maior produtor e exportador da oleaginosa.

Janela para segunda safra se abre mais cedo

“Abrindo bem a janela para segunda safra, até o momento. Estamos falando de soja plantada agora que entra em colheita em janeiro, excelente para colocar milho no chão”, disse o diretor da consultoria, Matheus Pereira. A declaração reforça a importância do plantio precoce para o milho safrinha, que depende de umidade e luminosidade adequadas durante seu ciclo.

Quando a soja é colhida mais cedo, o milho pode ser semeado dentro da janela ideal, reduzindo riscos climáticos como geadas tardias ou estiagem no enchimento de grãos. Isso tende a elevar o potencial produtivo da segunda safra, que representa parcela significativa da produção nacional de milho. A antecipação também pode aliviar a pressão logística na colheita e no armazenamento.

Na última semana, os destaques foram Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, que registraram rápido avanço dos trabalhos de campo. A consultoria citou que 33,3% da safra já foi plantada em Mato Grosso, maior produtor brasileiro. O número está em linha com o anunciado mais cedo pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que indicou um salto de mais de 20 pontos percentuais na semeadura do Estado.

Mato Grosso lidera com avanço expressivo

O desempenho mato-grossense reflete a combinação de chuvas regulares e estrutura de plantio altamente mecanizada. O estado responde por cerca de um quarto da produção nacional de soja, e qualquer aceleração local impacta diretamente os números nacionais. O salto de mais de 20 pontos percentuais em uma semana demonstra a capacidade operacional dos produtores locais.

Goiás e Mato Grosso do Sul também apresentaram progresso significativo, embora a fonte não tenha detalhado percentuais específicos para esses estados. A tendência de avanço rápido nessas regiões acompanha o padrão observado em Mato Grosso, com chuvas bem distribuídas e solo em condições adequadas para a semeadura.

Já no Paraná, o plantio evoluiu pouco em razão do excesso de precipitações, conforme havia alertado o Departamento de Economia Rural (Deral). Contudo, o Estado sulista está adiantado nos trabalhos de semeadura, com mais de 40% da área já plantada, após as chuvas terem chegado mais cedo este ano.

Paraná avança apesar do excesso de chuvas

O excesso de umidade pode atrapalhar o trânsito de máquinas e favorecer o aparecimento de doenças fúngicas no solo. Ainda assim, o Paraná mantém um ritmo superior à média histórica, graças ao início precoce das precipitações. O Deral já havia sinalizado que as chuvas volumosas poderiam causar pausas pontuais nos trabalhos, mas sem comprometer o cronograma geral.

O diretor da Pátria disse ainda que, apesar da evolução no plantio, em partes de Mato Grosso, como o noroeste, alguns tiveram de replantar devido a condições desfavoráveis para o desenvolvimento. “Centro-Norte do MT está precisando de chuvas. Pode ser um problema se novas rodadas não chegarem na próxima semana.”, acrescentou ele.

Replantio e atenção ao clima no noroeste

A necessidade de replantio ocorre quando as sementes não germinam adequadamente ou as plântulas morrem por estresse hídrico ou térmico. Isso gera custos adicionais com sementes, combustível e mão de obra, além de atrasar o desenvolvimento da lavoura. No noroeste de Mato Grosso, a irregularidade das chuvas exigiu que alguns produtores refizessem a semeadura.

A situação no Centro-Norte do estado é monitorada de perto, pois a falta de novas chuvas pode comprometer o estande final de plantas e, consequentemente, o potencial produtivo. A consultoria alertou que a próxima semana será decisiva para definir se haverá necessidade de novos replantios ou se as lavouras conseguirão se recuperar.

O post Plantio de Soja no Brasil Vai a Quase 20% da Área, em Ritmo Recorde, Diz Pátria apareceu primeiro em Forbes Brasil.

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