ONU alerta: El Niño pode ser o mais forte em 40 anos
A Organização Meteorológica Mundial alerta que o El Niño pode atingir intensidade recorde nas últimas quatro décadas. O fenômeno deve provocar ondas de calor, secas severas e inundações em diferentes regiões. Relatório da ONU também indica que o aquecimento global pode superar 1,5°C até meados do século.
O El Niño pode ter intensidade sem precedentes e ultrapassar os padrões observados nas últimas quatro décadas, afirmou nesta quarta-feira (21) a diretora da agência meteorológica das Nações Unidas. A declaração foi feita por Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), durante a divulgação de um novo relatório climático. O documento alerta para os impactos globais do fenômeno, que deve alterar padrões de temperatura e precipitação em escala planetária.
Segundo a especialista, o El Niño deve levar uma onda de calor para algumas regiões e abalar os padrões de chuva, provocando seca severa, enquanto em outras regiões ele pode causar inundações. A combinação de calor extremo e chuvas irregulares tende a agravar crises hídricas, incêndios florestais e perdas agrícolas em áreas vulneráveis. A OMM não detalhou quais países seriam mais afetados, mas reforçou que o fenômeno exige monitoramento contínuo.
Aquecimento global supera projeções anteriores
O relatório da ONU divulgado hoje aponta que o aquecimento global deve ser mais intenso que as projeções anteriores, mesmo no cenário mais otimista. As temperaturas médias podem subir para 1,7 a 1,8 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais até meados do século. Esse valor ultrapassa a meta de 1,5°C estabelecida no Acordo de Paris, indicando que o limite considerado seguro está cada vez mais distante.
Apesar da rápida expansão das energias renováveis e das políticas climáticas que estão reduzindo as emissões em muitos países, o relatório mostrou que ainda são necessárias reduções “urgentes e rigorosas” para alcançar o melhor cenário possível. A transição energética, embora acelerada, não tem sido suficiente para conter o avanço das temperaturas globais. O documento destaca que as ações atuais precisam ser ampliadas com urgência para evitar impactos ainda mais severos.
COP31 e o apelo por ação imediata
Enquanto os países se preparam para a próxima rodada de negociações climáticas na Turquia, a COP31, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que é crucial não desistir dos esforços para conter as emissões que estão causando inundações, incêndios e outros desastres naturais. A declaração reforça a necessidade de compromissos mais ambiciosos na conferência, que ocorrerá em um momento de agravamento dos eventos extremos.
“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos manter esse aumento o menor e mais curto possível – e fazer com que as temperaturas voltem a ficar abaixo de 1,5 grau até o final do século”, disse ele. A fala de Guterres busca manter o engajamento político mesmo diante de projeções pessimistas, enfatizando que cada fração de grau evitada reduz riscos para populações e ecossistemas.
Meta de 1,5°C ainda é alcançável?
De acordo com o Acordo de Paris de 2015, os países concordaram em tentar manter o aumento médio da temperatura bem abaixo de 2 graus e, preferencialmente, em 1,5°C. No entanto, o novo relatório indica que limitar o aquecimento a 1,5°C sem ultrapassagem ou com ultrapassagem limitada não é mais considerado possível. Essa constatação representa uma mudança significativa em relação às avaliações anteriores, que ainda viam o objetivo como viável.
Como limitar o aquecimento a 1,5°C sem ultrapassagem ou com ultrapassagem limitada não é mais considerado possível, o Pnuma disse que seu novo cenário de ultrapassagem, “mais baixo possível”, oferece cerca de 50% de chance de que as temperaturas possam retornar a 1,5°C ou menos até 2100. Esse cenário dependeria de reduções drásticas de emissões e de tecnologias de remoção de carbono em larga escala, cuja viabilidade ainda é incerta.
Planos climáticos insuficientes
O relatório indicou ainda que os planos climáticos apresentados desde o ano passado praticamente não alteraram as projeções de aquecimento futuro. Isso significa que as promessas atuais dos países, mesmo se cumpridas integralmente, não seriam suficientes para evitar um aquecimento perigoso. A falta de ambição coletiva é apontada como um dos principais obstáculos para o cumprimento das metas do Acordo de Paris.
O retorno à meta de 1,5°C dependeria da remoção de carbono em grande escala, cuja viabilidade é incerta. Tecnologias como captura direta do ar e bioenergia com captura e armazenamento de carbono ainda estão em estágio inicial e enfrentam desafios técnicos e econômicos. Sem essas soluções, a probabilidade de retornar a níveis seguros de temperatura diminui consideravelmente.
Diante desse cenário, a ONU reforça que a adaptação aos impactos climáticos já inevitáveis deve ser prioridade, ao mesmo tempo em que se mantém o esforço para reduzir emissões. O El Niño recorde previsto para os próximos meses deve testar a resiliência de sistemas agrícolas, hídricos e de saúde em todo o mundo. A combinação de fenômeno natural extremo com aquecimento global antropogênico pode resultar em eventos sem precedentes na história recente.
Fonte
- agenciabrasil.ebc.com.br
- Rádios (radios.ebc.com.br)
- TV Brasil Novos medicamentos contra o câncer serão oferecidos na rede pública (tvbrasil.ebc.com.br)
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