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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Economia

Lucro do Bradesco desacelera no 3º tri com inadimplência

O Bradesco abriu a temporada de balanços dos grandes bancos com lucro líquido recorrente de R$ 7,11 bilhões no terceiro trimestre, alta de 0,8% sobre o trimestre anterior. A inadimplência subiu para 4,6% da carteira e as provisões cresceram, refletindo juros altos e economia em desaceleração. O ROE recuou para 15,6%, impactado pelo aumento de capital de R$ 10 bilhões.

4 min de leitura
Lucro do Bradesco desacelera no 3º tri com inadimplência
Crédito: www.bloomberglinea.com.br

O Bradesco (BBDC4) abriu a temporada de balanços dos grandes bancos listados na B3 com lucro líquido recorrente de R$ 7,11 bilhões no terceiro trimestre, alta de 0,8% sobre o segundo, depois de avanços de 4,5% no primeiro trimestre e de 3,5% no segundo. O resultado, divulgado nesta quinta-feira, reflete um cenário de juros altos e economia em desaceleração, com aumento da inadimplência e das provisões para perdas com crédito, além de queda na rentabilidade.

A instituição, sediada na Cidade de Deus, em Osasco (SP), destacou que o desempenho foi compensado por receitas de tesouraria e de tarifas e pelo controle de despesas.

Inadimplência sobe e pressiona provisões

A inadimplência, medida pelos empréstimos com atraso superior a 90 dias, subiu para 4,6% da carteira, ante 4,3% no segundo trimestre e 4,1% um ano antes. O banco classificou o movimento como “leve alta”, mas o avanço foi mais expressivo entre micro, pequenas e médias empresas, cujo índice passou de 3,7% para 4,9% em 12 meses. Segundo o Bradesco, cerca de metade da alta da inadimplência no trimestre veio de empréstimos de capital de giro com garantia do governo federal.

Como contam com essa garantia, essas linhas exigem menos provisão, o que mitigou parte do impacto no resultado.

O banco afirma ter feito “ajustes finos adicionais nos modelos de crédito, preços” e reduzido a exposição a “clusters mais voláteis de clientes”. Os empréstimos com garantia chegaram a 61,2% da carteira, o que ajuda a conter a necessidade de provisões adicionais. Ainda assim, as provisões para perdas com crédito cresceram no período, refletindo a deterioração da qualidade dos ativos em um ambiente de juros reais elevados.

Rentabilidade recua com aumento de capital

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recuou de 16,2% no segundo trimestre para 15,6% no terceiro, em parte porque o aumento de capital de R$ 10 bilhões concluído no período ampliou o patrimônio. Sem esse efeito, o indicador seria de 16,1%, segundo o banco. XP e Itaú BBA projetavam 16,2%. A queda na rentabilidade reflete não apenas o efeito contábil do aumento de capital, mas também o menor ganho com crédito e o avanço das despesas com provisões.

Em um ano, o lucro subiu 14,6%. O valor ficou em linha com o consenso compilado pela Bloomberg, de R$ 7,12 bilhões. Receitas de tesouraria e de tarifas e o controle de despesas compensaram o menor ganho com crédito. A margem com mercado, ligada às operações de tesouraria, somou R$ 875 milhões, ante R$ 99 milhões um ano antes, um salto expressivo que ajudou a sustentar o resultado.

Receitas de serviços e controle de despesas

As receitas de serviços cresceram 4,2% no trimestre, e as despesas operacionais caíram 1,0% em um ano. “Ganhamos eficiência. Aumentamos os investimentos na nossa transformação e, mesmo assim, todas as principais linhas de despesas cresceram abaixo da inflação”, disse Noronha. O controle de custos foi um dos pilares do resultado, permitindo que o banco mantivesse o lucro estável apesar do cenário adverso.

Já o resultado das operações de seguros, previdência e capitalização recuou 8,6% sobre o segundo trimestre. A queda nesse segmento reflete a menor demanda por produtos de proteção em um ambiente de renda pressionada e juros altos, que tornam os produtos de acumulação menos atrativos em comparação com aplicações de renda fixa.

Cenário macroeconômico segue desafiador

A dias do segundo turno da eleição presidencial, no domingo (25), a Fitch Ratings avalia que o ambiente para o crédito no Brasil deve continuar adverso. Em relatório de quarta-feira (21), a agência afirma que os juros reais muito elevados seguirão pesando sobre o consumo e o investimento, num momento em que o endividamento do setor privado está no maior nível em duas décadas.

A Fitch projeta alta do PIB de 1,9% em 2026 e de 1,4% em 2027 e espera aperto fiscal no próximo ano, independentemente de quem vencer a eleição.

Mesmo com a Selic caindo de 13,75% para 11,75% até o fim de 2027, a Fitch espera que o Banco Central mantenha os juros reais altos, o que continuará limitando o crédito. Esse cenário deve manter a pressão sobre a inadimplência e as provisões dos bancos, exigindo cautela na originação de novos empréstimos e foco em linhas com garantias.

O Bradesco, por sua vez, segue ajustando seus modelos de crédito e reduzindo exposição a segmentos mais arriscados, como evidenciado pela queda na exposição a “clusters mais voláteis de clientes”. A instituição também tem ampliado a participação de empréstimos com garantia, que oferecem maior proteção em caso de calote. A expectativa é de que o quarto trimestre ainda traga desafios, mas com possível estabilização da inadimplência à medida que a economia se ajusta.

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