Ex-dono da Reag é indiciado por lavagem de dinheiro
A Polícia Federal indiciou o ex-dono da Reag, Carlos Alberto Mansur, por lavagem de dinheiro. Ele é acusado de inserir recursos de sonegação fiscal no sistema financeiro. Mansur fechou delação premiada com a PGR, ainda pendente de homologação no STF.
A Polícia Federal indiciou Carlos Alberto Mansur, ex-dono da gestora Reag, por lavagem de dinheiro. A acusação aponta que ele contribuiu para inserir no sistema financeiro recursos provenientes de sonegação fiscal e outros ilícitos atribuídos ao grupo econômico ligado a Beto Louco. O dinheiro teria passado por contas sem identificação dos titulares e por uma estrutura de fundos de investimento.
O indiciamento é mais um capítulo da operação Carbono Oculto, que investiga irregularidades na Reag, uma das principais gestoras independentes do país. Mansur deixou a presidência do Conselho de Administração da empresa em setembro de 2025, logo após a deflagração da operação. A saída ocorreu em meio ao avanço das investigações e à pressão regulatória sobre o setor.
Esquema usava fundos para ocultar propina
Segundo a PF, a estrutura montada por Mansur permitia que valores ilícitos circulassem sem deixar rastros claros. As contas sem identificação dos titulares dificultavam o rastreamento da origem do dinheiro. Já os fundos de investimento serviam como camada adicional de ocultação, misturando recursos legais e ilegais.
O grupo econômico ligado a Beto Louco é apontado como a fonte dos recursos. A sonegação fiscal teria gerado o montante que, posteriormente, era lavado por meio da Reag. A PF não detalhou o volume total movimentado, mas afirmou que o esquema envolvia múltiplas etapas para despistar as autoridades.
Além da lavagem, o empresário também é investigado em outro caso de repercussão nacional. Em janeiro, foi alvo de buscas na Operação Compliance Zero, que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master. Na ocasião, Mansur não chegou a ser preso, mas teve documentos e equipamentos apreendidos.
Delação premiada com a PGR
Recentemente, o empresário fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo ainda aguarda homologação do Supremo Tribunal Federal (STF). Caso seja aprovado, Mansur poderá fornecer detalhes sobre o funcionamento do esquema e apontar outros envolvidos.
Na delação, ele afirma que fundos administrados pela Reag foram utilizados para ocultar pagamentos de propina feitos por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a autoridades públicas. A declaração liga diretamente os dois casos em que Mansur é investigado, sugerindo uma conexão entre a Reag e o Banco Master.
A homologação da delação é um passo crucial para que as informações sejam usadas em processos judiciais. Enquanto o STF não decidir, o conteúdo do acordo permanece sob sigilo. A PGR não se manifestou sobre o andamento do pedido.
Defesas silenciam sobre o caso
A defesa de Mansur informou que não se manifestaria sobre o indiciamento. O silêncio pode indicar uma estratégia de aguardar a homologação da delação antes de se posicionar publicamente. A defesa de Beto Louco também não comentou o caso, mantendo o mesmo tom de discrição.
O indiciamento não significa condenação, mas representa um avanço formal na investigação. A partir de agora, o Ministério Público poderá oferecer denúncia contra Mansur, caso entenda haver elementos suficientes. O processo seguirá tramitando na Justiça Federal, com possibilidade de desdobramentos para outros investigados.
Enquanto isso, a Reag tenta se reestruturar após a saída de Mansur e os impactos da operação Carbono Oculto. A gestora não se pronunciou sobre o indiciamento do ex-dono. O mercado financeiro acompanha o caso de perto, dado o porte da empresa e a gravidade das acusações.
Fonte
- revistaoeste.com
- Polícia Federal (PF) (www.gov.br)
Deixe seu comentário