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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

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Espanha terá greve geral por habitação em 11 de novembro

As duas principais centrais sindicais espanholas anunciaram greve geral para 11 de novembro em meio à crise habitacional. A paralisação ocorre dias antes do início da campanha para as eleições legislativas antecipadas de 29 de novembro, convocadas pelo presidente Pedro Sánchez.

6 min de leitura
Espanha terá greve geral por habitação em 11 de novembro
Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

As duas principais centrais sindicais espanholas anunciaram uma greve geral pela crise no setor habitacional para o dia 11 de novembro, às vésperas do início da campanha para as eleições legislativas antecipadas. A paralisação de 24 horas foi convocada pela UGT e pela CCOO, em resposta ao apelo de associações de inquilinos que têm mobilizado protestos diários desde setembro. O anúncio ocorre em um momento de intensa pressão política, após o Parlamento derrubar decretos com medidas para a habitação.

Na segunda-feira (5), o presidente Pedro Sánchez convocou eleições para 29 de novembro. A decisão do socialista foi anunciada dois dias depois de o Parlamento espanhol ter derrubado decretos com medidas para a habitação, e na sequência de protestos diários contra ações de despejo. A convocação eleitoral antecipada adiciona um componente político à greve, que ocorrerá durante o período pré-campanha.

Primeira greve geral em 14 anos

Esta vai ser a primeira greve geral no país em 14 anos e responde a um apelo das associações reunidas na Confederação de Sindicatos de Inquilinas, que defendem o direito à habitação e têm mobilizado milhares de pessoas em protestos diários nas ruas desde 23 de setembro. A última greve geral convocada por UGT e CCOO foi em 2012, durante o governo de Mariano Rajoy, em meio a reformas trabalhistas e cortes de gastos.

O secretário-geral da UGT, Pepe Álvarez, confirmou a adesão da central sindical. “Vamos nos juntar no dia 11, tal como todos estes coletivos têm vindo a definir, com a convocatória de uma greve geral”, disse. A data foi acertada com a outra grande central sindical espanhola, a CCOO (Comisiones Obreras), e será uma paralisação de 24 horas, acrescentou.

Pepe Álvarez afirmou que a greve geral responde ao apelo das associações Sindicatos de Inquilinas e reivindica “salários dignos para uma moradia digna”. A frase sintetiza a pauta do movimento: a alta dos aluguéis e dos preços dos imóveis tem pressionado o orçamento das famílias, especialmente nas grandes cidades.

Contexto político e eleitoral

A greve ocorre em um cenário de crise política. O Parlamento espanhol derrubou recentemente decretos do governo com medidas para a habitação, o que levou Sánchez a antecipar as eleições. A convocação para 29 de novembro encurta o calendário eleitoral, e a greve de 11 de novembro acontecerá antes do início oficial da campanha.

As associações empresariais criticaram o anúncio, lançando dúvidas sobre a legalidade – por considerarem que não se trata de uma questão laboral – e questionando o oportunismo do movimento, quando o governo acaba de convocar eleições. O presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Antonio Garamendi, afirmou que a greve tem um “claro componente político e eleitoral” e parece ter mais como alvo a oposição do que o Governo do socialista Pedro Sánchez.

Também os maiores partidos da oposição, o Partido Popular (PP, direita) e o Vox (extrema-direita), criticaram a greve, destacando também o momento e por se tratar da primeira convocada desde que Sánchez chegou ao poder, em 2018. O porta-voz do PP, Borja Sémper, defendeu que “é uma decisão eminentemente política com a intenção de favorecer a ação política de Pedro Sánchez”.

O PP realça que “os sindicatos acordaram” após oito anos de governos liderados por Sánchez, cujo “grande fracasso” é a habitação, com os preços dos imóveis e dos aluguéis tendo disparado nos últimos anos. A oposição argumenta que a convocação da greve às vésperas das eleições beneficia o governo, ao mobilizar a base social em torno de uma pauta de esquerda.

Reivindicações e mobilização social

As associações de inquilinos têm sido o motor dos protestos diários desde 23 de setembro. A Confederação de Sindicatos de Inquilinas reúne coletivos que defendem o direito à habitação e pressionam por medidas como controle de aluguéis, fim dos despejos sem alternativa habitacional e ampliação do parque público de moradias. A greve geral busca ampliar a pressão sobre o governo e o Parlamento, independentemente do resultado eleitoral.

A paralisação de 24 horas convocada para 11 de novembro deve afetar setores como transporte, indústria e serviços, mas o foco principal é a questão habitacional. Os sindicatos argumentam que a crise de moradia é também uma questão laboral, pois os salários não acompanham o custo de vida, forçando trabalhadores a comprometer grande parte da renda com aluguel ou a viver em condições precárias.

O governo de Sánchez, por sua vez, tentou aprovar decretos com medidas para a habitação, mas não obteve apoio parlamentar suficiente. A derrubada dos decretos foi um dos fatores que levaram à convocação das eleições antecipadas. A greve geral, portanto, ocorre em um vácuo de políticas públicas efetivas para o setor, com o Parlamento dissolvido e o governo em funções de gestão.

Reações empresariais e políticas

Além das críticas de Garamendi, as associações empresariais questionam a legalidade da greve por considerarem que a habitação não é uma questão trabalhista. Esse argumento pode levar a disputas judiciais sobre a validade da paralisação, mas os sindicatos sustentam que a greve é legítima por envolver condições de vida dos trabalhadores.

O PP e o Vox, por sua vez, acusam os sindicatos de agir em conluio com o governo socialista. A alegação de que a greve é “eminentemente política” reflete a polarização do debate público espanhol, onde a habitação se tornou um tema central das eleições. A oposição também destaca que esta é a primeira greve geral desde 2018, quando Sánchez assumiu o poder, sugerindo que os sindicatos foram lenientes com o governo até agora.

Os sindicatos, por outro lado, negam motivação partidária e afirmam que a greve é uma resposta à crise social. Pepe Álvarez enfatizou a reivindicação de “salários dignos para uma moradia digna”, ligando diretamente a questão salarial à habitacional. A UGT e a CCOO representam milhões de trabalhadores e têm histórico de mobilizações nacionais, mas a última greve geral conjunta foi há mais de uma década.

Expectativas para a paralisação

A greve de 11 de novembro será um teste para a capacidade de mobilização dos sindicatos e das associações de inquilinos. Com a proximidade das eleições, o impacto político da paralisação pode influenciar o debate eleitoral, mas os sindicatos afirmam que o objetivo é pressionar por políticas habitacionais, independentemente de quem vença o pleito.

A data escolhida, às vésperas do início da campanha, pode amplificar a visibilidade da pauta, mas também expõe o movimento a acusações de oportunismo. As associações empresariais e a oposição já sinalizaram que contestarão a legalidade e a legitimidade da greve, o que pode gerar disputas nos tribunais trabalhistas.

Enquanto isso, os protestos diários contra despejos continuam nas ruas espanholas, mantendo a pressão sobre o governo em fim de mandato. A crise habitacional, com aluguéis e preços de imóveis em alta, é apontada como um dos principais problemas sociais do país, e a greve geral busca transformar essa insatisfação em ação política coordenada.

A fonte não detalhou a estimativa de adesão à greve nem os setores específicos que serão paralisados. Também não foram divulgadas informações sobre serviços mínimos ou negociações entre sindicatos e governo. A reportagem seguirá acompanhando os desdobramentos.

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