Israel alerta que batalha também é pela narrativa
Às vésperas do 7 de outubro, o Major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel, alerta que a batalha também é pela narrativa. Ele participa de evento em Curitiba nesta quarta-feira (8) para discutir a disputa de narrativas sobre o conflito.
Às vésperas do 7 de outubro, o Major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel, alerta que a batalha também é pela narrativa. O militar estará em Curitiba nesta quarta-feira (8), onde participa do evento “7 de outubro: 3 anos disputando a narrativa”, promovido pela Federação Israelita do Paraná (FEIP) e pelo Instituto Fatos sem Fronteiras.
Em entrevista, Rozenszajn destacou que Israel enfrenta uma disputa de narrativas que vai muito além do campo de batalha. Ele questionou por que tem sido tão difícil comunicar a perspectiva israelense, especialmente diante da imprensa internacional e das redes sociais.
Direito de defesa reconhecido, mas negado
O porta-voz expressou preocupação com a forma como o direito de Israel de se defender é tratado em debates públicos. “O que me preocupa é outra coisa. Em muitos debates, o direito de Israel de se defender passou a ser reconhecido em tese e negado na prática, como se existisse uma forma de enfrentar uma organização armada, entrincheirada sob cidades, sem consequências”, afirmou.
Essa contradição, segundo ele, dificulta a compreensão das ações militares israelenses. A fala reforça a ideia de que a narrativa é um campo de batalha tão relevante quanto o terreno físico.
Antissemitismo em alta após o conflito
Rozenszajn também comentou o aumento do antissemitismo em diferentes países após o 7 de outubro. Ele ressaltou que as Forças de Defesa de Israel não são uma instituição dedicada a analisar o antissemitismo em outros países, e essa é uma responsabilidade das comunidades locais, das autoridades e da sociedade civil de cada nação. Mas é impossível não observar o fenômeno.
No Brasil, entidades representativas da comunidade judaica registraram um aumento expressivo de denúncias, e famílias relatam situações que antes não viviam, inclusive com crianças em escolas. O porta-voz destacou a gravidade desse cenário, que se soma aos desafios de comunicação enfrentados por Israel.
Vítimas civis em Gaza e a guerra
Sobre as críticas ao elevado número de vítimas civis em Gaza, Rozenszajn afirmou: “Cada civil morto em Gaza é uma tragédia, e não há nada de abstrato nisso para quem está em campo. A pergunta que precisa ser feita é por que essa guerra se desenvolveu dessa forma.”
Ele explicou que o obstáculo central continua sendo o mesmo: o Hamas interfere na distribuição da ajuda e se recusa a se desarmar, o que é condição para que a segunda fase do acordo avance. A complexidade do combate em área densamente povoada é um dos pontos centrais da narrativa israelense.
Hezbollah e crime organizado
O porta-voz também mencionou o Hezbollah, que disparou mais de 20 mil projéteis contra Israel desde 7 de outubro. Segundo ele, o grupo mantém redes de financiamento, lavagem de dinheiro e crime organizado em vários continentes, incluindo o nosso.
Essa atuação transnacional do Hezbollah reforça a tese de que a ameaça não se limita ao Oriente Médio. A declaração conecta a segurança de Israel à segurança das sociedades livres, ampliando o escopo da disputa de narrativas.
Princípio para as democracias ocidentais
Rozenszajn argumentou que o que está em jogo para o Ocidente é um princípio. “Se uma organização pode invadir um país soberano, assassinar civis em suas casas e sequestrar crianças, e ainda assim ser tratada como um ator político legítimo, o precedente vale para qualquer democracia”, disse.
Ele fez um apelo às democracias ocidentais: “Não peço que as democracias ocidentais concordem com cada decisão israelense. Peço que julguem Israel pelos mesmos critérios com que julgariam a si mesmas diante de uma ameaça semelhante.”
Consenso sobre desarmamento
O porta-voz lembrou que o próprio Líbano, assim como a comunidade internacional, reconhece hoje que o Hezbollah precisa ser desarmado. “Esse consenso precisa se aplicar também ao Hamas. A segurança de Israel e a segurança das sociedades livres não são agendas separadas”, concluiu.
Ele também recomendou que o público desenvolva um hábito simples: diante de uma informação que provoca indignação imediata, perguntar qual é a fonte e se ela foi confirmada. Essa postura crítica é essencial na disputa de narrativas que marca o conflito.
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