Por que a Marvel mata os X-Men da Fox pela terceira vez
A Marvel Studios planeja encerrar de vez a era dos X-Men da Fox, trazendo os atores originais para uma despedida em Vingadores: Doutor Destino. A estratégia visa preparar o terreno para um reboot completo com novo elenco, como Sadie Sink como Jean Grey.
A Marvel Studios está prestes a encerrar definitivamente a era dos X-Men da 20th Century Fox, trazendo os atores originais para uma última aparição no Universo Cinematográfico Marvel (MCU). O movimento, que ocorre em meio à Saga do Multiverso, será visto em Vingadores: Doutor Destino, onde os mutantes clássicos devem se unir aos heróis da Marvel para enfrentar o vilão. A decisão marca a terceira vez que a franquia tenta dar um adeus aos personagens, mas agora com um objetivo claro: preparar o público para um reboot completo.
\n\n
O legado dos mutantes originais
\n
Em 2006, X-Men: O Confronto Final fechou a trilogia dos mutantes com “chave de ouro”. O surgimento da Fênix Negra, interpretada por Famke Janssen, e a cura para o Gene X movimentaram os Filhos do Átomo para uma batalha como nenhuma outra vista nos filmes da 20th Century Fox. O longa não encerrava apenas um arco iniciado em 2000, mas também a história idealizada para revitalizar os super-heróis da Marvel para uma nova geração.
Mais do que isso, iniciou uma série de adaptações que, ao longo dos anos, deram vida ao MCU.
\n\n
Era o fim de uma era, da forma mais literal possível. O estúdio ainda tentou manter a chama viva por meio do Wolverine, interpretado por Hugh Jackman, com filmes solos que estendiam a trama de seu universo e mostravam o que veio antes e depois dos três filmes clássicos. Porém, em 2011, veio o grande choque aos fãs: a 20th Century Fox “matou” os mutantes originais e os reapresentou com um novo elenco em X-Men: Primeira Classe. Era uma prequela? Um soft reboot?
Nem eles sabiam explicar, mas o longa estreou e não contava com quase nenhum ator dos originais.
\n\n
A primeira morte e o retorno
\n
Abro parênteses por causa de Hugh Jackman, que foi o único mantido no seu papel como o carcaju. Era consenso entre os fãs e a gravadora que o astro se tornou um ícone neste papel e substituí-lo causaria revolta. Porém, todos os demais foram cortados sem dó nem piedade. Após serem substituídos por astros como James McAvoy e Michael Fassbender, os atores do original acreditaram que conseguiriam “descansar” e se dedicar a outros projetos. Afinal, na época, dedicar 5 a 6 anos a uma franquia era tempo demais.
\n\n
Contudo, a própria 20th Century Fox tinha outros planos. Após ver que havia muita confusão entre o público sobre a troca de atores, decidiram chamar todo mundo de novo para explicar melhor o que aconteceu com todos. Daí, surgiu X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, em 2014. A trama já começa no futuro, com a derrota dos mutantes originais perante a ameaça dos Sentinelas.
Para salvar o seu destino, eles enviam a mente de Logan ao passado por meio das habilidades de Kitty Pryde, interpretada por Elliot Page, e tentam reverter a criação dos robôs.
\n\n
Um adeus adequado e a confusão
\n
Assim, de forma menos abrupta, o longa-metragem prepara um adeus mais adequado aos personagens e atores que foram tão amados pelo público. Quando o Wolverine volta à sua própria linha do tempo, ele reencontra todos felizes e em harmonia — talvez pela primeira vez nos cinemas.
A partir disso, os “novos mutantes” assumiram a direção de vez em X-Men: Apocalipse, de 2016, e X-Men: Fênix Negra, de 2019. Os fãs mais apaixonados até ouviam uma piada ou outra em Deadpool e Deadpool 2, mas serviam apenas para ilustrar a confusão da Fox.
\n\n
O contexto do multiverso
\n
Vamos primeiro visualizar o contexto de tudo. Em 2019, Vingadores: Ultimato fez um imenso sucesso nos cinemas e encerrou três fases no MCU. A próxima exploraria o multiverso e era o espaço perfeito para trazer atores antigos e produções “esquecidas” pelo público. Contudo, no meio disso tudo, tivemos The Marvels, em 2023, que fez cada fã tremer na base mais uma vez. A cena pós-crédito mostrava o Fera de Kelsey Grammer, de Cheers e Frasier, brevemente.
Isso representava o retorno dos mutantes originais da Fox, mais uma vez — mas dessa, em tom de ameaça.
\n\n
O plano da Marvel Studios
\n
Eles voltarão em Vingadores: Doutor Destino, mas seu destino já foi pré-determinado muito antes disso. A Disney quer um reboot completo da franquia e trocará todo o elenco. Sadie Sink, de A Baleia e Stranger Things, já é a nova Jean Grey do MCU, apresentada em Homem-Aranha: Um Novo Dia, em 2026. O que a Marvel Studios e a Disney desejam é mostrar que este é o fim de uma geração.
Não há grupo melhor para representar isso do que os X-Men originais — que foi a primeira adaptação bem-sucedida das histórias das HQs para os cinemas.
\n\n
O crossover definitivo
\n
Nunca vimos os X-Men ao lado dos Vingadores e, em determinado momento, os dois grupos se unirão para encarar o Doutor Destino. É o crossover dos crossovers, que atravessa não apenas universos, mas gerações de fãs. Para uma nova representação dos mutantes, precisam ilustrar nas telas que os originais deixarão de existir por completo. Não haverá realidade na qual eles ainda permanecem de pé, algo que precisa ser demonstrado nessa era multiversal.
\n\n
Um aperitivo do futuro
\n
No fim, é apenas para o público ter um aperitivo de como o Universo Cinematográfico Marvel poderia ser a partir da união de todos esses heróis. Isso se repetirá com novos astros e pessoas no futuro, mas esse é o momento de “olhar para trás”. Não é à toa que Robert Downey Jr. e Chris Evans aceitaram voltar. Seus personagens, assim como os X-Men da Fox, já tiveram o seu desfecho.
Porém, agora será o fim de tudo o que foi construído dentro e fora do MCU e quem não quer fazer parte disso?
\n\n
A terceira morte definitiva
\n
Veremos a terceira morte dos mutantes, porém essa será a primeira vez que a realidade que começou há 20 anos será encerrada. O que Kevin Feige deseja é concluir tudo isso em grande estilo, com a participação de todos — que é justamente como o universo devia ter começado nos cinemas.