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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Economia

Lula e Flávio divergem sobre juros e dívida em debate

No último debate antes do segundo turno, promovido pela TV Globo, Lula e Flávio Bolsonaro divergiram sobre juros, dívida pública e carga tributária. Apesar das diferenças, ambos prometeram reajustar o salário mínimo acima da inflação.

4 min de leitura
Lula e Flávio divergem sobre juros e dívida em debate
Crédito: www.bloomberglinea.com.br

O custo de vida, os juros e o endividamento das famílias foram alguns dos principais temas econômicos do último debate entre os candidatos à Presidência antes do segundo turno, marcado para domingo (25). No encontro promovido pela TV Globo na noite de sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) divergiram sobre o papel do gasto público e do Banco Central.

Os dois, no entanto, convergiram em promessas como o reajuste do salário mínimo acima da inflação, uma política apontada por economistas como uma das fontes de pressão sobre as contas públicas por seu impacto nas despesas da Previdência. O debate teve quatro blocos. Nos três primeiros, com regiões sorteadas e temas escolhidos pelos candidatos, houve espaço para propostas de infraestrutura, saúde, educação e segurança.

O último, de tema livre, foi ocupado em sua maior parte por acusações sobre patrimônio, pedidos de quebra de sigilos e relações com o Banco Master. Flávio fez a maior parte dos pedidos de direito de resposta ao longo da noite, e a maioria foi negada pela produção. O debate ocorreu em uma reta final de campanha marcada por promessas que elevam gastos dos dois lados, com poucos detalhes sobre como seriam financiadas.

Promessas de reajuste e continuidade

Em vários momentos, Flávio se comprometeu a manter políticas do atual governo. Disse que vai reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação, manter o Pé-de-Meia e garantir reajuste ao Bolsa Família. Também declarou apoio à tarifa zero no transporte público nos fins de semana, proposta que Lula associa ao fim da escala 6×1, e afirmou que não vai privatizar Banco do Brasil, Caixa e Petrobras.

Lula sustentou que, sem a política de valorização do salário mínimo dos governos do PT, o piso estaria hoje em R$ 900. A convergência nas promessas de aumento real do mínimo contrasta com as divergências sobre como financiar tais medidas.

Divergência sobre juros e dívida pública

A política monetária foi um dos pontos de divergência. Flávio afirmou que a taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, é resultado de um “governo gastador”. Disse que a dívida pública, de R$ 11 trilhões segundo ele, custa quase R$ 1 trilhão por ano em juros. Pelos dados do Banco Central, a dívida bruta do governo geral somava R$ 10,9 trilhões em julho, ou 82,5% do PIB.

Segundo o senador, a projeção em 2022 era de uma Selic próxima de 7% hoje caso Jair Bolsonaro tivesse sido reeleito. “Toda vez que a economia não cresce, aparece alguém falando em corta gasto, tesouraço, teto de gasto”, disse Lula. “Quanto mais a economia crescer, mais a gente vai poder diminuir a dívida com relação ao PIB.”

Propostas para dívidas das famílias

“Eu vou comprar a sua dívida dos bancos e vou refinanciar pelo Banco da Prosperidade e a Caixa Econômica Federal”, disse Flávio. Lula afirmou que o adversário copia um programa que o governo já enviou ao Congresso. Segundo o presidente, uma medida provisória prevê um leilão de dívidas de famílias com bancos ainda neste mês, com descontos de 90% a 95%, que pode superar R$ 150 bilhões.

Ele citou as duas edições do Desenrola, que teriam atendido cerca de 15 milhões de pessoas, e o perdão de quase R$ 15 bilhões em dívidas de microempreendedores individuais. Lula também defendeu o fim das apostas online, que associou ao endividamento das famílias.

Críticas à carga tributária

Flávio criticou a carga tributária e a regulamentação da reforma tributária. Disse que a alíquota do novo IVA pode chegar a 28%, o que, segundo ele, seria a maior do mundo, e acusou o governo de criar ou elevar mais de 30 tributos. Também afirmou que o governo gastou mais de R$ 400 bilhões em medidas não previstas no Orçamento para buscar a reeleição. Lula não respondeu diretamente às críticas sobre o IVA.

Saúde, educação e meio ambiente

Na saúde, Lula questionou o compromisso do adversário com o financiamento do SUS. Flávio disse que vai investir no sistema, atualizar a tabela de pagamentos a médicos e hospitais e refinanciar as dívidas das Santas Casas com a Caixa. Sobre a educação, Lula prometeu chegar a 100% de escolas em tempo integral até o ensino médio e estender o Pé-de-Meia à universidade.

Flávio defendeu ensino técnico no contraturno, auxílio-creche com vagas na rede privada onde faltar vaga pública e parcerias entre escolas e empresas. Na questão da Amazônia, Lula defendeu a economia da floresta em pé e o Fundo Amazônia. Em entrevista após o debate, Flávio disse que seu programa prevê zerar o desmatamento ilegal até 2029, com participação das Forças Armadas. Ele também defendeu a exploração de petróleo na Margem Equatorial.

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