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Wednesday, 28 de October de 2026

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Morre juiz que presidia processo contra Maduro nos EUA

O juiz federal Alvin K. Hellerstein, que presidia o processo contra Nicolás Maduro por narcoterrorismo nos Estados Unidos, morreu nesta quarta-feira (28), aos 92 anos. O caso será redistribuído a outro magistrado. Hellerstein também atuou em litígios do 11 de Setembro.

4 min de leitura
Morre juiz que presidia processo contra Maduro nos EUA
Crédito: www.gazetadopovo.com.br

Juiz federal morre aos 92 anos

O juiz federal americano Alvin K. Hellerstein, responsável pelo processo contra o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, morreu nesta quarta-feira (28), aos 92 anos. A informação foi confirmada por um porta-voz do sistema judiciário à imprensa local. Hellerstein atuava no Distrito Sul de Nova York, uma das jurisdições mais importantes dos Estados Unidos. Ele estava à frente do caso desde março de 2020, quando a acusação original foi apresentada pelo governo americano. A causa da morte não foi divulgada pela fonte.

Com a morte do magistrado, o processo contra Maduro e outros casos sob sua responsabilidade serão redistribuídos aleatoriamente a outro juiz federal. A declaração foi dada pelo porta-voz do Judiciário, Ed Friedland, ao veículo Politico. Ainda não há informações sobre quem assumirá o caso ou se haverá impacto no cronograma processual. A próxima audiência estava marcada para 17 de novembro, mas a fonte não detalhou se a data será mantida.

Carreira marcada por casos históricos

Hellerstein foi nomeado juiz distrital em 1998 pelo então presidente democrata Bill Clinton. Antes disso, construiu uma longa trajetória no direito: nascido em Nova York em 28 de dezembro de 1933, estudou na Universidade Columbia e serviu no Corpo de Advogados do Exército dos EUA entre 1957 e 1960. Depois, trabalhou por quase quatro décadas no escritório Stroock & Stroock & Lavan LLP, especializado em disputas comerciais. Desde 2011, exercia a função de juiz sênior, o que lhe permitia continuar atuando em casos selecionados com carga reduzida.

Ao longo da carreira, Hellerstein presidiu processos de grande repercussão. Ele ficou responsável por litígios de indenização relacionados aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, além de ações contra altos executivos do setor financeiro. Também atuou em casos envolvendo ex-funcionários venezuelanos, entre eles Hugo “El Pollo” Carvajal, ex-chefe da inteligência militar da Venezuela. Essa experiência o tornou um magistrado experiente em temas complexos e de alcance internacional.

Processo contra Maduro sob sua condução

O juiz Hellerstein estava à frente do processo contra Maduro desde o início, em março de 2020. Isso lhe permitiu familiarizar-se com o conjunto de provas e os argumentos da promotoria ao longo de quase seis anos. O caso envolve acusações de narcoterrorismo, importação de cocaína e crimes relacionados a armas. Em janeiro de 2026, após a captura do ditador venezuelano e sua transferência para os Estados Unidos, Hellerstein presidiu a primeira audiência de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em um tribunal federal de Manhattan.

Na ocasião, ambos se declararam inocentes.

Posteriormente, uma acusação ampliada incluiu Flores pela primeira vez e manteve as acusações contra Maduro. A defesa do ex-ditador apresentou uma alegação de imunidade, argumentando que ele seria chefe de Estado estrangeiro. Antes de morrer, Hellerstein ainda precisava decidir sobre essa e outras questões pendentes no processo. A fonte não detalhou quais outras questões estavam em aberto, mas a alegação de imunidade era um dos pontos centrais.

Próximos passos do caso

Com a morte de Hellerstein, o caso será redistribuído a outro juiz federal do Distrito Sul de Nova York. O processo de redistribuição é aleatório, conforme afirmou o porta-voz Ed Friedland. Isso pode gerar atrasos, já que o novo magistrado precisará se inteirar do caso, que envolve milhares de páginas de documentos e provas. A audiência de 17 de novembro pode ser adiada, mas a fonte não confirmou essa possibilidade.

O processo contra Maduro é um dos mais importantes da Justiça americana em relação à Venezuela. Ele acusa o ex-ditador de liderar uma organização de narcotráfico que teria enviado toneladas de cocaína aos Estados Unidos. A defesa nega as acusações e alega que Maduro tem imunidade como chefe de Estado. A decisão sobre a imunidade caberá agora ao novo juiz. A fonte não detalhou se há prazos específicos para essa decisão.

Legado de Hellerstein

Alvin K. Hellerstein deixa um legado de décadas no Judiciário americano. Além do caso Maduro, ele foi responsável por decisões importantes em litígios do 11 de Setembro, que envolveram indenizações bilionárias para vítimas e familiares. Sua atuação em casos financeiros também marcou época, com julgamentos contra executivos de grandes instituições. Como juiz sênior, ele continuou trabalhando até os últimos dias, mesmo com a idade avançada.

A morte de Hellerstein ocorre em um momento crítico do processo contra Maduro, que ainda não teve uma decisão sobre a imunidade. O novo juiz terá a responsabilidade de dar andamento a um caso de alta complexidade e grande interesse público. A fonte não informou se haverá alguma homenagem oficial ao magistrado. O sistema judiciário americano não divulgou detalhes sobre o funeral ou cerimônias.

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