Kinross vê ciclo positivo e estuda manter mina em MG após 2034
A Kinross Gold Corporation estuda estender a vida útil de sua mina em Paracatu, Minas Gerais, para além de 2034. A companhia destaca o cenário favorável do ouro e os investimentos em tecnologia para manter a operação viável.
A Kinross Gold Corporation, uma das dez maiores produtoras de ouro do mundo, avalia manter sua mina em Paracatu, Minas Gerais, ativa além de 2034. A subsidiária brasileira da companhia canadense, que opera no município desde 1987, conduz estudos para ampliar a vida útil do projeto, atualmente estimada até aquele ano. A decisão ocorre em um momento de alta sustentada do metal, que se mantém em torno de US$ 4.400 a onça desde agosto, segundo a Bloomberg News.
O CEO da Kinross no Brasil, Gilberto Azevedo, afirmou que a operação de Paracatu possui 4,8 milhões de onças de recursos provados e 3,5 milhões de onças de recursos futuros e potenciais. Esses números, segundo ele, sustentam a viabilidade de estender a extração para além do horizonte atual. “A vida útil da mina deve se estender até 2034 e há estudos em curso para ir além”, declarou o executivo, em comunicado à imprensa.
Operação de baixo teor exige alta eficiência
O mineral obtido em Paracatu possui um dos menores teores de ouro do mundo, conforme destacou o executivo. “Processamos 0,4 grama [de ouro] por tonelada de material que movemos”, explicou. Para que esse processo seja viável, a companhia investe continuamente em pessoas, equipamentos e tecnologia, buscando reduzir custos operacionais. “Temos que investir em pessoas e ter competência e capacidade de gerenciar a operação com os equipamentos e tecnologia certos para garantir que nossos custos sejam cada vez menores”, acrescentou.
Um exemplo desse esforço é o investimento de mais de US$ 30 milhões em uma única etapa do processo: a gravimetria em escala industrial. Essa técnica utiliza a força centrífuga para separar minerais de densidades diferentes, permitindo recuperar o ouro de forma mais eficiente. A adoção dessa tecnologia reflete a estratégia da empresa de manter a competitividade mesmo diante de um minério de baixo teor.
Mineração é negócio de longo prazo
Questionado sobre projeções futuras, o CEO ressaltou a natureza de longo prazo do setor. “Para operar uma mina, desde o início da exploração até a produção, leva-se em média 15 anos”, afirmou. Essa característica, segundo ele, torna difícil fazer previsões precisas, mas não impede o planejamento de expansão. A empresa segue avaliando o potencial geológico da região e a viabilidade econômica de continuar operando após 2034.
A Kinross é a 12ª maior arrecadadora de royalties da mineração (CFEM) no Brasil, o que evidencia sua relevância para a economia local e nacional. A subsidiária brasileira integra um grupo com operações também nos Estados Unidos, Chile, Mauritânia e Canadá. O conglomerado está entre os dez maiores produtores de ouro do mundo, posição que reforça sua capacidade de investimento em projetos de longa duração.
Cenário global impulsiona demanda por ouro
O mercado internacional de ouro vive um momento favorável, com o metal mantendo-se em patamar elevado. Desde agosto, a cotação oscila em torno de US$ 4.400 por onça, conforme dados da Bloomberg News. Esse cenário é impulsionado por fatores como a compra recorde por bancos centrais e a demanda consistente de grandes mercados consumidores.
Relatório semestral da World Gold Council mostra que os bancos centrais têm comprado, em média, 1.000 toneladas de ouro por ano desde 2022, ante uma média histórica de 600 toneladas anuais. Pesquisa recente da entidade indica que o apetite do setor público deve continuar, sustentando a demanda global. Esse movimento é um dos pilares do chamado “ciclo positivo” para o ouro, mencionado pela Kinross.
Por outro lado, a Índia, segundo maior mercado consumidor do mundo, com demanda líquida em torno de 800 toneladas por ano, elevou as tarifas de importação do metal para poupar reservas cambiais. Essa medida, segundo a fonte, deve impactar o mercado, embora não tenha sido detalhado o alcance desse efeito. Ainda assim, o equilíbrio entre oferta e demanda permanece favorável aos produtores.
Perspectivas para Paracatu
Diante desse contexto, a Kinross avalia que a extensão da vida útil da mina de Paracatu é uma possibilidade concreta. Os estudos em curso consideram não apenas os recursos minerais já identificados, mas também o potencial de novas descobertas na região. A empresa não divulgou prazos para a conclusão dessas análises, nem valores adicionais de investimento.
A operação em Paracatu é um dos principais ativos da companhia no Brasil, empregando tecnologia de ponta e gerando royalties significativos para o país. A continuidade das atividades após 2034 dependerá de fatores como viabilidade econômica, licenciamento ambiental e condições de mercado. Por ora, a mineradora sinaliza confiança no futuro do projeto, amparada pelo cenário global positivo para o ouro.
Deixe seu comentário