Família de Micael diz acreditar na inocência da mãe após morte cerebral
Familiares de Micael Davi da Costa Silva, de 2 anos, afirmaram, durante entrevistas concedidas a diferentes meios de comunicação de Araçatuba (SP), que estão convencidos de que os graves ferimentos apresentados pelo menino não foram provocados por uma queda.
A criança estava internada desde segunda-feira (19) na Santa Casa de Araçatuba, após dar entrada na unidade com múltiplos hematomas e fraturas. Na tarde desta quinta-feira (22), a família foi informada sobre a confirmação da morte cerebral do menino.
O avô da criança, Valdir Costa, e o tio, Guilherme, também se manifestaram para esclarecer informações que, segundo eles, foram divulgadas nos últimos dias. Entre os pontos questionados está a informação de que a mãe teria abandonado o filho no hospital depois de levá-lo ao pronto-socorro.
Os familiares afirmaram que a mãe, que está grávida do quarto filho, não teria abandonado a criança e que confiam na versão apresentada por ela e em sua inocência.
Valdir afirmou ainda que mora próximo à residência onde a filha vivia com o companheiro e que tinha convivência frequente com as crianças. Segundo ele, nunca teria presenciado qualquer situação de agressão.
Família quer que mãe acompanhe despedida
Segundo os parentes, a entrevista ocorreu poucas horas depois de a família receber a confirmação da morte cerebral de Micael.
Eles relataram que, até aquele momento, a mãe ainda não havia sido comunicada oficialmente sobre a gravidade da situação. A família pretende recorrer à Justiça, por meio de um advogado, para tentar garantir que ela possa acompanhar a despedida do filho.
Relacionamento passava por crise
Os familiares também afirmaram que o relacionamento entre a mãe de Micael e o companheiro enfrentava problemas.
Segundo eles, o casal teria discutido no domingo (18), um dia antes de o menino ser levado ao hospital. Os dois estariam cogitando uma separação e, conforme o relato dos parentes, o homem já estaria dormindo em outro cômodo da residência.
A família informou que o casal estava junto havia aproximadamente cinco meses. Cerca de dois meses antes, a mãe teria deixado Santa Bárbara d’Oeste para morar em Araçatuba, cidade onde o companheiro trabalha.
Os parentes disseram acreditar no relato apresentado pela mulher às autoridades. Conforme essa versão, ela teria saído da residência para levar uma das outras crianças à creche e, ao retornar, encontrou Micael desacordado no colo do padrasto.
Ainda segundo o relato, o homem teria informado que o menino havia caído da cama.
Família diz que não presenciou agressões
Os parentes também afirmaram que não aprovavam o relacionamento da mulher, mas ressaltaram que essa desaprovação não estaria relacionada a um suposto comportamento agressivo do companheiro em relação às crianças.
A família reforçou que acredita que a mãe não tenha agredido o filho e que também não teria presenciado qualquer violência contra ele.
Lesões graves foram constatadas
De acordo com informações médicas divulgadas sobre o caso, Micael apresentava traumatismo cranioencefálico gravíssimo, hemorragia subaracnóidea, fratura occipital, contusão pulmonar bilateral e múltiplos hematomas.
Segundo a avaliação médica apresentada durante a investigação, o conjunto das lesões seria compatível com agressões físicas e teria ocorrido dentro da residência.
A Polícia Civil passou a investigar o caso como suspeita de violência grave contra a criança.
Mãe e padrasto estão presos
A mãe e o padrasto tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Inicialmente, o casal era investigado por tentativa de homicídio qualificada e tortura.
Com a confirmação da morte cerebral da criança, a investigação passa a considerar a ocorrência de homicídio consumado, conforme as informações divulgadas pelas autoridades.
A responsabilidade individual de cada investigado ainda deverá ser definida no decorrer da investigação e do processo judicial.
Como o menino chegou ao hospital
Micael foi levado ao hospital pela mãe na manhã de segunda-feira (19). Durante o atendimento, a mulher teria passado mal, segundo informações médicas, e recebido medicação.
Diante da gravidade dos ferimentos apresentados pelo menino, a equipe da Santa Casa acionou a Polícia Militar.
Os policiais foram até a residência da família, no bairro Águas Claras. Aos agentes, a mãe relatou que havia saído para levar outro filho à creche e que, ao retornar poucos minutos depois, encontrou Micael no colo do companheiro, quase inconsciente.
Ainda conforme o relato apresentado à polícia, ela teria procurado o pai para pedir ajuda e levá-los ao pronto-socorro. Durante o trajeto, porém, o veículo teria ficado sem combustível, sendo necessário chamar um motorista de aplicativo para concluir o deslocamento até a unidade de saúde.
O padrasto teria dito à mulher que o menino havia caído da cama.
A investigação continua para esclarecer o que aconteceu dentro da residência e determinar a responsabilidade pelos ferimentos que levaram à morte cerebral da criança.
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