Pular para o conteúdo

Agora

Birigui Notícias

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Economia

Demanda por escritórios Triple A cresce em São Paulo

A procura por escritórios de alto padrão avança em São Paulo, reduzindo a vacância para 15,3% até setembro. Grandes inquilinos enfrentam escassez de áreas extensas, especialmente no segmento Triple A.

4 min de leitura
Demanda por escritórios Triple A cresce em São Paulo
Crédito: www.bloomberglinea.com.br

A demanda por escritórios de alto padrão, os chamados Triple A, cresceu em São Paulo ao longo de 2024, e o mercado já enfrenta escassez de opções para grandes inquilinos. Segundo relatório da consultoria CBRE, a vacância na capital paulista caiu para 15,3% no acumulado até setembro, ante 17,4% no mesmo período do ano passado. O movimento reflete a ampliação da frequência das empresas nos escritórios e a busca por espaços modernos e bem localizados.

Nos edifícios classe AAA, a taxa de vacância estava em 12,8% no terceiro trimestre, aponta o levantamento. O cenário indica um aquecimento do segmento premium, impulsionado por transações relevantes e pela retomada do trabalho presencial. A redução da oferta disponível, porém, começa a limitar as alternativas para ocupantes que necessitam de grandes lajes.

Oferta de grandes áreas fica restrita

De acordo com Giuliano, executivo da CBRE, há poucos edifícios disponíveis na cidade para ocupantes que precisam de áreas extensas. Para uma empresa interessada em 20 mil m², por exemplo, existe apenas uma opção pronta padrão Triple A. A escassez é mais acentuada no segmento de alto padrão, onde a demanda supera a oferta imediata.

O executivo também destaca uma mudança no perfil dos novos empreendimentos. De 2010 a 2018, o tamanho médio dos prédios novos entregues na capital paulista era de 11 mil m². Para o período de 2019 a 2028, esse número cai para 9.500 m². “Os prédios novos estão diminuindo”, diz Giuliano. A tendência de projetos menores reduz ainda mais a disponibilidade de áreas contíguas para grandes locatários.

Essa dinâmica pressiona as empresas a anteciparem decisões de locação ou a considerarem alternativas fora dos polos tradicionais. A fonte não detalhou se há projetos futuros capazes de reverter esse quadro no curto prazo.

Absorção recorde até setembro

O estudo aponta que a absorção bruta acumulada até setembro na cidade atingiu 684 mil m², recorde para o período. Já a absorção líquida, que representa o saldo entre áreas ocupadas e devolvidas, também alcançou nível recorde para o intervalo, de 313 mil m². Os números indicam que as empresas não apenas alugam mais, como devolvem menos espaços, consolidando a retomada do mercado corporativo.

O desempenho reflete a confiança dos ocupantes na economia e a necessidade de adequação aos novos modelos de trabalho, que exigem escritórios mais eficientes e bem localizados. A absorção líquida positiva em patamar recorde sugere um movimento consistente de expansão das áreas ocupadas, e não apenas trocas de endereço.

Entre as transações recentes na capital, o destaque ficou para a locação da Bayer, de 15 mil m², no terceiro trimestre. A operação reforça a demanda por espaços de alto padrão em regiões consolidadas.

Grandes negócios movimentam o mercado

A maior transação registrada no mercado imobiliário no terceiro trimestre – e uma das maiores em área locada da história – foi a locação, pela Eztec, de duas torres do seu empreendimento corporativo Esther Towers para o Itaú Unibanco. A CBRE intermediou a operação. O negócio evidencia o apetite de grandes corporações por edifícios modernos e bem localizados.

Esse tipo de transação contribui diretamente para a redução da vacância, especialmente nos segmentos de maior padrão. A locação de torres inteiras por um único inquilino reduz a oferta disponível e pode influenciar os preços pedidos em regiões concorridas.

A fonte não detalhou os valores envolvidos na operação nem a área total locada pelo banco. Ainda assim, o porte do negócio sinaliza a força do mercado corporativo paulistano no período.

Polos corporativos puxam a queda

Entre os principais polos corporativos analisados pela CBRE, as microrregiões de Pinheiros e Chucri Zaidan lideraram a queda da vacância ao final de setembro, somando 9,9% e 14,6%, respectivamente. Na Faria Lima/JK, a taxa chegou a 7,9% no período. Esses números mostram que as regiões mais valorizadas da cidade estão com oferta limitada de escritórios de alto padrão.

A concentração da demanda nessas áreas reflete a preferência por localizações com boa infraestrutura de transporte, serviços e proximidade de centros de decisão. A baixa vacância na Faria Lima/JK, por exemplo, indica um mercado aquecido e competitivo, com poucas opções para novos inquilinos.

Para empresas que buscam espaços Triple A nessas regiões, a escassez pode levar a prazos mais longos de negociação ou à necessidade de aguardar novas entregas. A fonte não detalhou a previsão de novos empreendimentos nessas microrregiões.

O cenário geral aponta para um mercado corporativo em recuperação, com destaque para o segmento premium. A combinação de absorção recorde, queda da vacância e oferta limitada de grandes áreas deve manter a pressão sobre os preços e a disponibilidade nos próximos trimestres.

Fonte

Compartilhar

Deixe seu comentário

Seu e-mail não aparece publicamente. A redação modera antes de publicar.

Leia também