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domingo, 18 de outubro de 2026

Economia

CPI quer investigar big techs nas eleições

A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou requerimento para criar CPI que investigue a atuação das big techs nas eleições. A medida ocorre após a Meta admitir falhas técnicas que afetaram a campanha de Lula. São necessárias 171 assinaturas para a abertura da comissão.

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CPI quer investigar big techs nas eleições
Crédito: www.infomoney.com.br

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou, em publicação nas redes sociais, que protocolou neste sábado, 17, um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar a atuação das grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, durante o período eleitoral. A parlamentar também afirmou que já começou a recolher as assinaturas necessárias para a instalação do colegiado na Câmara dos Deputados.

A iniciativa surge em meio a questionamentos sobre a conduta de plataformas digitais no pleito, especialmente após a Meta — controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp — ter reconhecido, na sexta-feira, 16, que “falhas técnicas” prejudicaram a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição. A empresa, no entanto, negou qualquer interferência política e afirmou que os problemas foram rapidamente corrigidos, acrescentando que o candidato Flávio Bolsonaro também relatou falhas semelhantes.

Para que a CPI seja efetivamente instalada, o regimento da Câmara exige o apoio formal de pelo menos 171 deputados. Erika Hilton declarou que está empenhada em coletar as assinaturas necessárias “para que, independentemente de qual seja o resultado das urnas, as big techs sejam investigadas”. A deputada reforçou, ainda, que acompanha de perto os “abusos cometidos por empresas como a Meta” e avaliou que “tudo indica que as eleições brasileiras estão sofrendo interferência de bilionários estrangeiros”.

Contexto das falhas técnicas admitidas

A admissão da Meta sobre as “falhas técnicas” ocorreu na véspera do anúncio da deputada. De acordo com a empresa, os problemas afetaram temporariamente a distribuição de conteúdo relacionado à campanha de Lula, mas foram solucionados assim que identificados. A companhia ressaltou que não houve ação deliberada para favorecer ou prejudicar qualquer candidatura e que o episódio se tratou de uma questão operacional.

Ao mesmo tempo, a Meta informou que o candidato Flávio Bolsonaro também registrou queixas sobre o funcionamento das plataformas durante o período eleitoral. A fonte não detalhou a natureza exata das falhas relatadas por Bolsonaro, nem o alcance do impacto sobre as campanhas. A empresa limitou-se a afirmar que corrigiu as inconsistências e que mantém canais de comunicação abertos com as equipes dos candidatos.

Esse cenário de instabilidade técnica, ainda que negado como interferência, alimentou o debate sobre a responsabilidade das plataformas em processos democráticos. A deputada Erika Hilton, ao protocolar o requerimento, sinalizou que a investigação parlamentar deve ir além do caso específico da Meta, abrangendo a conduta de outras big techs que operam no Brasil.

Reação institucional e apuração

Segundo O Globo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública já acionou a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o Ministério Público Federal (MPF) para apurar possíveis irregularidades nas práticas de moderação de conteúdo da Meta. A medida indica que o governo federal também está atento aos relatos de falhas e à possibilidade de que decisões algorítmicas tenham afetado a equidade do processo eleitoral.

A ANPD, responsável por fiscalizar o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados, deverá analisar se houve violação de normas relacionadas ao tratamento de informações pessoais. Já o MPF poderá avaliar se as condutas configuram infrações à legislação eleitoral ou a direitos difusos. A fonte não detalhou o cronograma dessas apurações, nem se haverá pedidos de informações adicionais à Meta.

A movimentação institucional ocorre em paralelo à articulação política na Câmara. A CPI proposta por Erika Hilton, se instalada, terá poderes para convocar representantes das empresas, requisitar documentos e ouvir especialistas. O foco, segundo a deputada, é garantir transparência sobre o funcionamento dos algoritmos e os critérios de moderação de conteúdo adotados durante as eleições.

Próximos passos da CPI

O requerimento protocolado por Erika Hilton ainda precisa reunir as 171 assinaturas para ser submetido à análise da presidência da Câmara. A deputada afirmou que já iniciou a coleta de apoios e que a adesão de outros parlamentares será fundamental para viabilizar a comissão. A fonte não detalhou quantas assinaturas já foram obtidas até o momento.

Caso o número mínimo seja alcançado, caberá ao presidente da Câmara autorizar a instalação da CPI, que terá prazo definido para concluir os trabalhos. Durante a investigação, os membros poderão solicitar informações às big techs, ouvir representantes das empresas e analisar documentos técnicos sobre o funcionamento das plataformas. A expectativa é que a comissão também examine se as falhas relatadas tiveram impacto mensurável na disputa eleitoral.

A proposta de Erika Hilton se insere em um contexto mais amplo de discussão sobre a regulação das plataformas digitais no Brasil. A deputada defende que a investigação parlamentar é necessária para assegurar a soberania do processo eleitoral e evitar que interesses privados, especialmente de “bilionários estrangeiros”, influenciem o resultado das urnas.

Transparência e soberania digital

A fala de Erika Hilton sobre a possível interferência de “bilionários estrangeiros” remete a preocupações recorrentes sobre o poder das big techs em países democráticos. As plataformas controlam a distribuição de conteúdo para milhões de usuários e, por meio de algoritmos, podem ampliar ou restringir o alcance de determinadas mensagens políticas. A falta de transparência sobre esses mecanismos é um dos pontos centrais do pedido de CPI.

No caso brasileiro, a admissão de “falhas técnicas” pela Meta, ainda que negando intencionalidade, reforçou a percepção de que as empresas precisam prestar contas sobre suas operações durante períodos eleitorais. A atuação da ANPD e do MPF, somada à possível CPI, pode resultar em recomendações de mudanças regulatórias ou até em sanções, dependendo do que for apurado.

A deputada Erika Hilton, ao protocolar o requerimento, busca assegurar que a investigação ocorra “independentemente de qual seja o resultado das urnas”. A declaração sugere que a parlamentar considera a apuração necessária não apenas para o pleito atual, mas como medida preventiva para futuras eleições, garantindo que as plataformas atuem de forma íntegra e transparente.

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