Pular para o conteúdo

Agora

Birigui Notícias

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Mundo

MPSP denuncia dois por bebida falsificada que cegou mulher

O Ministério Público de São Paulo denunciou dois homens por falsificação de bebida alcoólica que causou cegueira permanente em uma mulher em Guarulhos. A vítima ingeriu vodca adulterada com metanol em setembro de 2025. Os acusados responderão por falsificação de produto e lesão corporal.

3 min de leitura
MPSP denuncia dois por bebida falsificada que cegou mulher
Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) denunciou dois homens por terem falsificado bebida alcoólica que cegou uma mulher em Guarulhos (SP), em setembro de 2025. A denúncia foi apresentada pela 16ª Promotoria de Justiça Criminal de Guarulhos na última sexta-feira (25). Os acusados poderão responder por falsificação de produto destinado ao consumo e lesão corporal.

Segundo a acusação, um dos denunciados era proprietário e responsável por um estabelecimento comercial na Avenida Guarulhos. Ele adquiria bebidas de diversos fornecedores sem exigir documentação fiscal sobre a origem dos produtos. A prioridade, conforme o MPSP, era dada aos vendedores que ofereciam os menores preços, o que facilitava a entrada de mercadorias adulteradas no comércio.

Vítima perdeu a visão após consumir vodca

Em 27 de setembro de 2025, uma mulher que ingeriu bebida alcoólica no estabelecimento apresentou grave intoxicação por metanol e precisou ser internada. O quadro clínico evoluiu para perda completa e permanente da visão nos dois olhos. A substância, altamente tóxica, é utilizada em solventes e combustíveis, mas nunca em bebidas próprias para consumo humano.

A intoxicação por metanol pode causar sintomas como náuseas, dores abdominais, tontura e alterações visuais, que podem progredir para cegueira irreversível. No caso relatado, a vítima sofreu dano neurológico definitivo, o que agrava a responsabilidade penal dos envolvidos. A denúncia destaca que a ingestão ocorreu em um contexto de consumo aparentemente comum, sem qualquer alerta sobre a procedência do produto.

Fornecedor agia perto do Mercado Municipal

O segundo acusado fornecia as bebidas sem documentação ao comerciante. Ele adquiria vodcas de vendedores desconhecidos nas proximidades do Mercado Municipal de São Paulo e as entregava a estabelecimentos como se fossem produtos de uma conhecida marca de vodca, sem comprovação de origem ou autenticidade. Essa prática, segundo a Promotoria, permitia a circulação de garrafas falsificadas com rótulos semelhantes aos originais, enganando consumidores e comerciantes menos atentos.

A ausência de nota fiscal e de rastreabilidade é um dos principais indícios de irregularidade apontados pela investigação. O fornecedor não mantinha qualquer registro das transações, o que dificultava a identificação da cadeia de adulteração. Ainda assim, as provas colhidas pelo MPSP foram suficientes para embasar a denúncia contra ambos.

Perícia encontrou metanol em oito amostras

Em 15 de outubro de 2025, foram apreendidas no estabelecimento diversas garrafas de vodca, parte delas sem comprovação de origem e procedência. A perícia constatou que oito amostras continham metanol em concentrações entre 34,6% e 40,9%, concluindo tratar-se de bebidas adulteradas, impróprias ao consumo e gravemente nocivas à saúde. A informação foi divulgada pelo MPSP em nota oficial.

Os laudos técnicos apontaram que a concentração de metanol encontrada é extremamente elevada, muito acima de qualquer limite tolerável. Mesmo pequenas quantidades da substância podem causar danos irreversíveis ao organismo humano. A apreensão ocorreu semanas após o incidente com a vítima, o que indica que as bebidas adulteradas continuavam disponíveis para venda até a intervenção das autoridades.

Denúncia reforça combate à adulteração

A ação do MPSP integra um esforço mais amplo de combate à falsificação de bebidas alcoólicas na região metropolitana de São Paulo. A prática, além de sonegar impostos, representa risco direto à saúde pública. A denúncia formalizada na última sexta-feira (25) é o primeiro passo para que os acusados sejam julgados e, se condenados, cumpram penas proporcionais aos danos causados.

O caso serve de alerta para consumidores e comerciantes sobre a importância de verificar a procedência dos produtos. A exigência de nota fiscal, a observação de lacres e rótulos e a compra em canais autorizados são medidas simples que podem evitar tragédias semelhantes. A fonte não detalhou se os denunciados permanecem presos ou responderão em liberdade.

Fonte

Compartilhar

Deixe seu comentário

Seu e-mail não aparece publicamente. A redação modera antes de publicar.

Leia também