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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Mundo

Jornalista brasileiro crítico a Milei é deportado da Argentina

O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr. foi impedido de entrar na Argentina nesta segunda-feira (12) e deportado de volta ao Brasil. As autoridades migratórias cancelaram sua residência permanente e o proibiram de reingressar por cinco anos. Tomaz suspeita de motivação política, após embates com apoiadores do governo Milei nas redes sociais.

4 min de leitura
Jornalista brasileiro crítico a Milei é deportado da Argentina
Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

O jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por suas críticas ao governo do presidente argentino Javier Milei, foi impedido de entrar na Argentina nesta segunda-feira (12), ao desembarcar no aeroporto Aeroparque, em Buenos Aires. As autoridades migratórias determinaram o cancelamento de sua residência permanente e estabeleceram uma proibição de reingresso por cinco anos. O profissional afirma suspeitar de motivação política, em meio a confrontos recentes com integrantes do governo argentino nas redes sociais.

Deportação surpreende jornalista no desembarque

Tomaz relatou que recebeu tratamento cordial das funcionárias responsáveis pelo procedimento migratório, mas ressaltou que não cometeu nenhum delito. “Se trata realmente de uma questão política”, afirmou o jornalista, ao comentar o episódio. Ele também declarou que sempre recebe comunicações do governo argentino, mas que não foi avisado de que teve a permissão de residência revogada.

De acordo com documentos da Direção Nacional de Migrações (DNM) encaminhados pelo jornalista via WhatsApp, a decisão foi fundamentada por um decreto de 2025. O texto permite o cancelamento de permissão de residência em caso de descumprimento de condições estabelecidas na concessão do documento. O jornalista argumenta, porém, que continuou viajando ao território argentino e que, somente em 2026, passou 36 dias no país.

Segundo os documentos apresentados, a medida determina a proibição de entrada na Argentina pelo período de cinco anos. Tomaz afirmou que pode recorrer da sanção, mas avalia que não conseguirá recuperar sua residência permanente. A fonte não detalhou quais condições teriam sido descumpridas, mas o jornalista nega qualquer irregularidade.

Embates nas redes sociais podem ter motivado ação

O brasileiro suspeita que a decisão esteja relacionada aos embates travados nas redes sociais entre julho e agosto com apoiadores e integrantes do governo argentino, especialmente Juan Pablo Carreira, conhecido como Juan Doe, diretor de Comunicação Digital da Presidência argentina. Segundo Tomaz, os conflitos começaram após manifestações de Carreira e de outros integrantes do ambiente digital alinhado ao governo Milei. O jornalista também relatou ter criticado um canal de streaming que, em sua avaliação, atua como instrumento de comunicação política do governo.

Na mensagem de áudio, Tomaz relacionou o episódio migratório ao que considera uma escalada autoritária na Argentina. “A Argentina, que a gente no Brasil todo mundo sabe da derrocada socioeconômica, crise, recessão, fechamento de empresas, destruição de empregos, também está junto no pacote da extrema direita a derrocada civil, a escalada autoritária”, declarou. O brasileiro também trabalha em um livro sobre a gestão do presidente argentino, com previsão de publicação em fevereiro de 2027.

Viagem tinha objetivo de registrar crise econômica

Antes de retornar ao Brasil, Tomaz afirmou que havia viajado à Argentina para produzir registros sobre a situação econômica do país. “Vim para registrar imagens que mostrem ao Brasil e ao mundo a crítica situação econômica do país e a escalada autoritária deste governo de extrema direita”, escreveu em mensagem enviada a contatos brasileiros. O jornalista deixou a Argentina com destino ao Brasil. Após desembarcar em Guarulhos, voa de volta a Brasília, onde mora, na tarde desta segunda.

A deportação ocorre em um contexto de tensão entre o jornalista e o governo argentino, mas as autoridades migratórias não confirmaram publicamente os motivos da decisão. A reportagem buscou contato com a Direção Nacional de Migrações, mas não obteve retorno até a publicação. A fonte não detalhou se houve comunicação oficial prévia sobre o cancelamento da residência.

Sindicatos repudiam deportação e citam perseguição

Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram a deportação e manifestaram solidariedade ao jornalista. “A democracia argentina e a brasileira merecem respeito. Nenhum governo tem o direito de perseguir, deter ou expulsar jornalistas pelo simples exercício de sua profissão”, destaca o texto.

As entidades não detalharam se pretendem acionar organismos internacionais ou o governo brasileiro, mas a nota reforça a preocupação com a liberdade de imprensa na região. Tomaz, por sua vez, afirmou que avalia recorrer da sanção, embora considere improvável reaver a residência permanente. O caso adiciona um novo capítulo às relações entre jornalistas e o governo Milei, marcadas por trocas públicas de acusações.

O episódio também reacende o debate sobre o uso de decretos migratórios para restringir a entrada de estrangeiros com posicionamentos críticos. A Argentina não se pronunciou oficialmente sobre a deportação de Tomaz, e a fonte não detalhou se o Brasil fará alguma representação diplomática. Enquanto isso, o jornalista segue para Brasília, onde deve retomar suas atividades e, possivelmente, buscar apoio jurídico.

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