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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Tecnologia

Governo quer internet em 72 mil km de rodovias até 2030

O governo federal anunciou uma política para levar conectividade a 72 mil quilômetros de rodovias até 2030. A principal medida é o compartilhamento obrigatório de redes entre operadoras, além de contrapartidas de leilões e contratos.

3 min de leitura
Governo quer internet em 72 mil km de rodovias até 2030
Crédito: olhardigital.com.br

O governo federal anunciou nesta quinta-feira, durante o Wireless Mundi 2026, em São Paulo, uma política para ampliar a cobertura de internet móvel em rodovias brasileiras. A meta é levar conectividade a 72 mil quilômetros de estradas até 2030, combinando rodovias federais e estaduais. O anúncio foi feito pelo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, que detalhou os mecanismos previstos para atingir esse objetivo.

Compartilhamento de redes é a base

A principal medida da política é obrigar as operadoras de telefonia a compartilhar suas redes. Na prática, isso permitirá que um cliente se conecte à infraestrutura de outra empresa quando sua própria operadora não tiver cobertura naquele trecho. As empresas não receberão compensação financeira específica pela cessão de suas redes. A expectativa do governo é que os custos sejam equilibrados pelos benefícios do acesso à infraestrutura das demais operadoras.

A medida busca aproveitar melhor as redes já existentes e ampliar a cobertura sem depender exclusivamente da instalação de novas estruturas em todos os trechos. Com isso, o governo espera otimizar os investimentos já realizados pelas operadoras e acelerar a expansão do sinal.

Metas para rodovias federais e estaduais

Nas rodovias federais, a política prevê ampliar a cobertura dos atuais 27,2 mil quilômetros para 57,1 mil quilômetros. O avanço corresponde a aproximadamente 77% de toda a malha rodoviária federal do país. O cronograma estabelece que 16 mil quilômetros de vias federais recebam sinal já em 2027.

Nas rodovias estaduais, a meta é acrescentar cobertura a 42,4 mil quilômetros de estradas até 2030. Ao final da implementação, seis rodovias federais consideradas prioritárias deverão contar com cobertura integral. A BR-101, por exemplo, tem cerca de 4,8 mil quilômetros de extensão e conecta regiões do Nordeste ao Sul do Brasil.

Outras fontes de expansão previstas

O compartilhamento de redes não será a única iniciativa usada para atingir as metas. A política reúne obrigações já estabelecidas em leilões, contratos e concessões de infraestrutura. Entre elas está o leilão da faixa de 700 MHz, realizado no primeiro semestre de 2026. Como contrapartida, as operadoras assumiram o compromisso de levar sinal a 6,4 mil quilômetros de rodovias e áreas rurais.

Outros 4,3 mil quilômetros de cobertura ficarão sob responsabilidade da Claro, como contrapartida prevista em contrato firmado com a União para adaptar os contratos de concessão de telefonia da empresa. Além disso, futuras concessões rodoviárias deverão incluir obrigações de conectividade, com previsão de cobertura em mais 1,3 mil quilômetros.

Benefícios para motoristas e logística

A ampliação do sinal deve beneficiar motoristas, passageiros e comunidades localizadas nas proximidades das rodovias. Entre os usos previstos estão chamadas de emergência, acesso a aplicativos e serviços que dependem de conexão móvel. A conectividade também poderá apoiar sistemas de cobrança automática de pedágios, conhecidos como free flow, que permitem a passagem de veículos sem a necessidade de parar em cabines.

Outro uso citado pelo governo é a pesagem de caminhões sem paradas, recurso que pode contribuir para operações logísticas mais ágeis. A expectativa é que a medida também favoreça setores como agronegócio, logística e transportes, que dependem de comunicação e troca de dados para suas operações.

Visão do governo e contexto

Durante o lançamento da política, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, afirmou que o governo está reorganizando instrumentos regulatórios, tecnológicos e financeiros para ampliar a disponibilidade de internet ao longo da malha rodoviária nacional. Segundo o ministro, o objetivo é transformar a expansão tecnológica em benefícios concretos para a população, ao mesmo tempo em que o país cria condições para receber novos investimentos no setor de telecomunicações.

O programa também se insere em uma agenda mais ampla do governo federal para ampliar a infraestrutura digital brasileira, levar internet a regiões com pouca cobertura e atrair investimentos em data centers e inteligência artificial (IA). Essas iniciativas também foram destacadas no Wireless Mundi 2026. Na área da educação, o ministro destacou a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, que tem como meta levar internet de qualidade a 138 mil escolas públicas brasileiras.

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