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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Economia

Brasil busca terceira indicação ao Oscar com Feito Pipa

O longa 'Feito Pipa', de Allan Deberton, foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país na categoria de Melhor Filme Internacional. A estreia nacional ocorre em 5 de novembro, enquanto a campanha internacional segue em roadshow. Se indicado, o Brasil alcançará a terceira indicação consecutiva na categoria.

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Brasil busca 3ª indicação ao Oscar com 'Feito Pipa'
Crédito: www.bloomberglinea.com.br

A comédia cearense Feito Pipa, dirigida por Allan Deberton, foi a escolhida pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma vaga em Melhor Filme Internacional no Oscar. O longa estreia nos cinemas nacionais em 5 de novembro, distribuído pela Paris Filmes. A seleção, anunciada recentemente, coloca o país novamente na corrida pela estatueta, após dois anos de forte presença na categoria.

Se a produção for indicada, o Brasil alcançará a terceira indicação consecutiva. Em 2025, Ainda Estou Aqui venceu o prêmio; em 2026, O Agente Secreto recebeu quatro indicações. A escolha nacional, porém, não garante lugar entre os cinco finalistas — a lista oficial sai apenas em janeiro, após a pré-lista de dezembro.

Trajetória premiada em festivais internacionais

O filme acumula reconhecimento em mostras importantes. Em fevereiro, venceu as duas principais premiações da Generation Kplus, mostra infantojuvenil do Festival de Berlim. Depois, foi o mais premiado em Gramado e levou Melhor Filme e Melhor Interpretação na seção LGBTQ+ do Festival de Guadalajara. Esses troféus reforçam o potencial da obra no circuito internacional.

Rodado em Quixadá, no Ceará, às margens de uma barragem onde a seca fez reaparecer as ruínas de uma cidade submersa, o longa trata da experiência de uma criança queer. A paisagem árida e as ruínas emergentes funcionam como metáfora visual para a jornada de autodescoberta do protagonista. A direção de fotografia explora a luz dura do sertão, criando contrastes que dialogam com o tom agridoce da narrativa.

Elenco e enredo central

No exterior, Feito Pipa circula como Gugu’s World. Gugu, vivido por Yuri Gomes, é um menino de quase 12 anos que sonha ser jogador de futebol e mora com a avó Dilma, professora aposentada interpretada por Teca Pereira. Lázaro Ramos completa o elenco principal, em papel que ainda não foi detalhado pela produção. A relação entre neto e avó é o coração emocional da trama, explorando conflitos geracionais e afetos silenciosos.

O longa marca a estreia de Deberton em longas após a comédia Pacarrete, premiada em Gramado em 2019. Foi por meio desse filme que Lázaro Ramos conheceu o trabalho do diretor e se aproximou do projeto. A sintonia entre os dois se reflete na química em cena, segundo a produção.

Estratégia de distribuição e campanha

Deberton diz estar em roadshow, rodada de apresentações a compradores, para vender o filme no exterior, com a agente de vendas Mappeal à frente das negociações. A produção é da Deberton Filmes e da Biônica Filmes, em coprodução com a Warner Bros. A presença de um grande estúdio como coprodutor pode facilitar o acesso a mercados-chave, mas a fonte não detalhou os termos do acordo.

A carreira internacional depende de fechar distribuição nos EUA e na Europa, o que leva o filme aos votantes da academia americana, e de sustentar a campanha até a pré-lista da categoria, em dezembro. No Brasil, a estreia vai medir se os prêmios se convertem em ingressos. O histórico recente mostra que o reconhecimento internacional nem sempre se traduz em bilheteria doméstica, mas a comoção em torno do Oscar pode impulsionar a audiência.

Contexto político e reações do público

O lançamento também carrega leitura política. Lázaro Ramos declarou voto em Lula, reeleito no domingo (25). Em 2023, apoiadores de Jair Bolsonaro convocaram boicote a Ó Paí, Ó 2, dirigido pelo ator, mas a iniciativa acabou ampliando a divulgação do longa. O episódio ilustra como posicionamentos públicos podem gerar reações adversas, mas também visibilidade involuntária.

No Ceará, governado por Camilo Santana (PT) antes de ele comandar o Ministério da Educação, o irmão do ex-governador, o fotógrafo Tiago Santana, preside o Instituto Mirante, organização social que administra equipamentos culturais do estado. A conexão entre cultura e política no estado natal do diretor não é abordada diretamente no filme, mas o contexto regional permeia a produção.

Marcas e o ciclo do Oscar

O sucesso das protagonistas de Minha Melhor Amiga também tem valor para o sistema financeiro. Três dias antes da estreia do filme, o C6 Bank colocou no ar uma campanha do C6 Carbon, seu cartão premium, estrelada pela dupla. A ação demonstra como o cinema nacional tem atraído patrocinadores de peso em momentos de alta visibilidade.

Bancos já haviam recorrido a estrelas do cinema nacional no ciclo recente do Oscar. O Itaú Unibanco (ITUB4) passou a tratar Fernanda Torres como embaixadora da marca durante a campanha de Ainda Estou Aqui. A associação entre instituições financeiras e atores premiados tornou-se uma estratégia recorrente, aproveitando a repercussão midiática das premiações.

Mercado de bilheteria em transformação

A Rentrak retomou o nome original em 2026, depois que a Comscore vendeu a divisão de medição de bilheterias à gestora Advaya Capital por US$ 70 milhões. A mudança afeta a forma como os números de arrecadação são divulgados no Brasil, mas a fonte não detalhou o impacto imediato para o mercado exibidor. A medição precisa é essencial para avaliar o desempenho de Feito Pipa nas salas nacionais.

Enquanto a campanha internacional avança, o filme enfrenta o desafio de equilibrar a expectativa artística com a realidade comercial. A estreia em 5 de novembro será o primeiro teste público em larga escala. Se o público abraçar a história de Gugu, o caminho até a lista final do Oscar pode ganhar fôlego extra.

Próximos passos na corrida

A pré-lista da categoria sai em dezembro, e a lista final em janeiro. Até lá, a equipe de Feito Pipa precisa garantir distribuição nos principais mercados e manter a visibilidade entre os votantes. O histórico recente do Brasil na categoria — com uma vitória e quatro indicações em dois anos — cria expectativa, mas também pressão.

O filme de Deberton chega com credenciais sólidas: prêmios em Berlim, Gramado e Guadalajara, elenco reconhecido e uma história universal sobre identidade e sonhos. Resta saber se esses elementos serão suficientes para conquistar a academia americana e o público brasileiro.

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