ONU projeta desaceleração do crescimento global em 2026
A economia global deve desacelerar em 2026, segundo a Unctad. O PIB mundial deve avançar 2,6%, ante 2,9% no ano anterior, influenciado pela crise energética decorrente da guerra no Oriente Médio. O comércio entre EUA e China caiu 20% desde 2024.
A economia global deverá desacelerar em 2026, na comparação com o ano passado, de acordo com estimativas divulgadas nesta sexta-feira, 9, pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicada ao setor. O Produto Interno Bruto (PIB) mundial deve avançar 2,6% neste ano, ante uma alta de 2,9% em 2025. Segundo a ONU, o resultado deve ser influenciado, principalmente, pela crise no mercado de energia decorrente da guerra no Oriente Médio.
Comércio global cresce puxado por preços
O comércio de bens e serviços deve se expandir 4% em 2026, depois de ter batido o recorde de US$ 35 trilhões no ano passado. A alta projetada para este ano, no entanto, se deve justamente aos preços mais elevados da energia. Isso indica que o volume físico de mercadorias pode não acompanhar o aumento nominal, refletindo um cenário de inflação de custos em vez de expansão real da demanda.
O relatório da ONU sobre comércio e desenvolvimento mostra ainda que o comércio entre as duas maiores potências econômicas do mundo, Estados Unidos e China, teve uma queda expressiva de 20% desde 2024. O Leste Asiático, por sua vez, aumentou sua relação comercial com norte-americanos e chineses, compensando parcialmente a redução bilateral.
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Barreiras dificultam novos entrantes
“Os controles de exportação, a triagem de investimentos e as condições da cadeia de suprimentos dificultam o acesso de novos participantes a setores estratégicos”, afirmou a Unctad em seu relatório. A declaração aponta para um ambiente de comércio internacional mais restritivo, com políticas protecionistas e exigências regulatórias que limitam a concorrência e a integração de economias emergentes em cadeias globais de valor.
Essas barreiras podem aprofundar a fragmentação do comércio mundial, com blocos regionais ganhando importância relativa. A queda no intercâmbio entre EUA e China é um sintoma desse movimento, enquanto o Leste Asiático amplia laços com ambos os lados, aproveitando sua posição geográfica e capacidade industrial.
Ásia lidera expansão econômica
Segundo a agência da ONU, a Ásia deve contribuir com 59% do crescimento econômico mundial em 2026, com altas do PIB de Índia (7,3%), Indonésia (5,2%) e China (4,5%). Esses números reforçam o papel do continente como motor da economia global, mesmo diante da desaceleração geral. A Índia se destaca com o maior crescimento entre as grandes economias, impulsionada por consumo interno e investimentos em infraestrutura.
A China, apesar das tensões comerciais com os EUA, mantém expansão robusta, ainda que abaixo de seus padrões históricos. A Indonésia, por sua vez, beneficia-se de recursos naturais e demanda doméstica crescente. A concentração do crescimento na Ásia contrasta com a moderação em outras regiões, como Europa e América do Norte.
Instituições divergem sobre o PIB
Em junho, o Banco Mundial já havia reduzido sua estimativa de crescimento do PIB global em 2026 para 2,5%, também sob influência da guerra entre EUA e Irã. No pior cenário, a instituição financeira aponta uma expansão ainda mais tímida, de 1,3%. O Fundo Monetário Internacional (FMI), por sua vez, espera que o PIB global avance 3% neste ano.
As projeções divergentes refletem diferentes metodologias e cenários de risco. A Unctad, com 2,6%, situa-se entre o Banco Mundial e o FMI, incorporando o impacto da crise energética e das tensões geopolíticas. A guerra no Oriente Médio, citada como fator central, afeta os preços do petróleo e gás, com efeitos em cadeia sobre custos de produção e inflação global.
Impactos para economias emergentes
Para países em desenvolvimento, a desaceleração global pode reduzir a demanda por commodities e limitar fluxos de capital. O aumento dos preços de energia pressiona balanças comerciais e eleva custos de importação. A Unctad alerta que as barreiras comerciais e a triagem de investimentos podem excluir nações menores de setores estratégicos, como tecnologia e energia renovável.
O relatório não detalha projeções específicas para o Brasil ou América Latina, mas o contexto de crescimento asiático forte pode abrir oportunidades de exportação de alimentos e minérios. A fonte não detalhou os efeitos regionais para a América do Sul. Ainda assim, a alta dos preços de energia tende a beneficiar exportadores de petróleo, enquanto importadores líquidos sofrem com custos maiores.
Perspectivas e riscos para 2026
O cenário traçado pela Unctad aponta para um ano de crescimento moderado, com riscos concentrados na geopolítica e na energia. A guerra no Oriente Médio permanece como principal fonte de incerteza, podendo elevar ainda mais os preços e reduzir o comércio. A queda de 20% no comércio EUA-China desde 2024 ilustra a persistência das tensões bilaterais.
Por outro lado, a resiliência da Ásia e o recorde de US$ 35 trilhões no comércio em 2025 indicam que a economia global mantém dinamismo, ainda que desigual. A Unctad não apresentou projeções para 2027, limitando-se ao horizonte de 2026. A fonte não detalhou cenários alternativos para o crescimento além dos citados pelo Banco Mundial.
Fonte
- revistaoeste.com
- Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) (unctad.org)
- Organização das Nações Unidas (ONU) (www.revistaoeste.com)
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